Jornais da Argentina, Itália, Espanha e outros países repercutem a eliminação do Brasil para a Noruega e apontam o fim da identidade histórica da Seleção.
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Jornais da Argentina, Itália, Espanha e outros países repercutem a eliminação do Brasil para a Noruega e apontam o fim da identidade histórica da Seleção.
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A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, provocou uma onda de repercussões na imprensa internacional. Mais do que destacar a classificação histórica dos noruegueses, jornais e analistas concentraram suas críticas na perda da identidade do futebol brasileiro, tradicionalmente associado ao talento, à criatividade e ao chamado “jogo bonito”.
A vitória da Noruega foi construída com dois gols de Erling Haaland nos minutos finais da partida, enquanto Neymar descontou de pênalti já nos acréscimos. Após o apito final, o camisa 10 anunciou sua despedida da Seleção Brasileira, encerrando uma trajetória de 16 anos defendendo o país.
Na Argentina, o tradicional diário Olé, conhecido pela rivalidade esportiva com o Brasil, publicou uma análise que chamou atenção pelo tom nostálgico.
Segundo o jornalista Diego Macias, a Seleção deixou para trás características que durante décadas marcaram sua história. O texto questiona onde ficaram o domínio da posse de bola, a criatividade e o futebol ofensivo que fizeram do Brasil uma referência mundial.
A publicação ainda faz uma ironia ao afirmar que a Noruega foi quem praticou, diante dos brasileiros, o futebol associativo e envolvente que durante décadas foi a marca registrada da Seleção.
A leitura predominante é que o Brasil passou a adotar um modelo mais pragmático, semelhante ao de outras grandes seleções, abrindo mão da personalidade que encantava torcedores em todo o mundo.
Na Itália, a Gazzetta dello Sport ressaltou que nem mesmo Carlo Ancelotti, considerado um dos técnicos mais vencedores da história, conseguiu evitar o fracasso brasileiro.
O jornal classificou a eliminação como a pior campanha da Seleção desde a Copa de 1990 e publicou que “a era de Ronaldo e Ronaldinho acabou; agora existe apenas Vinicius”, numa referência à dificuldade do Brasil em produzir uma geração comparável às equipes campeãs do passado.
A publicação também afirmou que Brasil, Itália e Alemanha — as três maiores campeãs mundiais — vivem atualmente um período de decadência esportiva, enquanto novas forças ganham espaço no cenário internacional.
Veículos da Europa e dos Estados Unidos destacaram principalmente a atuação decisiva de Erling Haaland. A agência Reuters classificou a vitória norueguesa como histórica e ressaltou a eficiência da equipe comandada por Ståle Solbakken, que aproveitou suas oportunidades nos minutos finais para eliminar uma das maiores favoritas ao título.
O jornal britânico The Guardian destacou a organização tática da Noruega e criticou a postura excessivamente cautelosa da equipe de Ancelotti, apontando falta de criatividade e pouca intensidade ofensiva durante boa parte da partida.
Já o The Wall Street Journal definiu Haaland como o “Exterminador” da Copa, ressaltando o contraste entre a eficiência do centroavante norueguês e a dificuldade brasileira em transformar domínio territorial em gols.
A derrota também ficou marcada pelo adeus de Neymar à Seleção. Em lágrimas, o atacante afirmou que sua trajetória com a camisa amarela havia chegado ao fim, encerrando a carreira como maior artilheiro da história do Brasil.
Para boa parte da imprensa internacional, o fim da passagem de Neymar simboliza também o encerramento de uma geração que, apesar do enorme talento individual, não conseguiu devolver ao país o protagonismo conquistado nas cinco estrelas mundiais.
Enquanto a Noruega celebra sua inédita classificação às quartas de final, o Brasil inicia mais um processo de reconstrução. Desta vez, sob a pressão de reencontrar não apenas os resultados, mas principalmente a identidade futebolística que durante décadas o transformou em referência mundial.