Nova tarifa dos EUA atinge máquinas, móveis, calçados, açúcar e etanol. Entenda os riscos para empregos, exportações e preços no Brasil.
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Nova tarifa dos EUA atinge máquinas, móveis, calçados, açúcar e etanol. Entenda os riscos para empregos, exportações e preços no Brasil.
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A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor em 22 de julho de 2026. Embora importantes exportações tenham sido preservadas, a medida reduz a competitividade de setores industriais e agrícolas e pode provocar cortes de produção e demissões nas empresas mais dependentes do mercado norte-americano.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham, calcula que aproximadamente 3 mil produtos serão alcançados, envolvendo cerca de US$ 11 bilhões em exportações. A sobretaxa será acrescentada aos impostos que cada mercadoria já paga para entrar nos Estados Unidos.
Entre os principais produtos que permaneceram dentro da taxação estão máquinas e equipamentos, móveis, calçados, açúcar, etanol, tabaco e diferentes artigos industrializados.
Também podem ser afetados segmentos de madeira processada, componentes mecânicos, produtos químicos, têxteis, vestuário e algumas categorias de alimentos. A lista exata depende da classificação aduaneira de cada mercadoria.
Esses setores tendem a enfrentar maior dificuldade para manter preços competitivos nos Estados Unidos. A alternativa será reduzir margens, renegociar contratos, procurar novos compradores ou diminuir a produção destinada à exportação.
A relação de exceções possui mais de 2,1 mil classificações tarifárias. Entre os produtos de maior importância comercial que ficaram fora da nova cobrança de 25% estão:
Carne bovina, café, café solúvel, laranja e suco de laranja, petróleo, celulose, ferro-gusa, determinados minérios, produtos energéticos, aeronaves civis, motores e peças aeronáuticas, insumos farmacêuticos e algumas categorias de aço, alumínio, cobre, veículos e semicondutores.
O documento do governo norte-americano também exclui materiais informativos, doações humanitárias e mercadorias que já estiverem em trânsito dentro dos prazos estabelecidos. As exceções foram concedidas principalmente a produtos considerados necessários às cadeias produtivas ou sem oferta suficiente nos Estados Unidos.
O efeito sobre a economia brasileira como um todo deverá ser limitado, porque café, carne bovina, celulose e aeronaves — itens relevantes da pauta exportadora — foram preservados. Entretanto, o impacto poderá ser intenso em cidades e empresas concentradas na fabricação de móveis, calçados, máquinas, madeira beneficiada e outros produtos incluídos.
Caso as encomendas diminuam, as companhias poderão reduzir turnos, suspender investimentos e cortar vagas. Pequenas e médias exportadoras são especialmente vulneráveis, pois geralmente possuem menos recursos para absorver a tarifa ou redirecionar rapidamente suas vendas.
Para o consumidor brasileiro, a tendência não é de uma mudança generalizada na inflação dos alimentos. Os principais produtos agropecuários exportados aos Estados Unidos foram isentos.
Em itens efetivamente tarifados, como açúcar e derivados específicos, uma eventual queda das exportações poderá aumentar temporariamente a oferta no mercado nacional e pressionar os preços para baixo. Esse efeito, porém, deverá ser pontual, pois produtores podem buscar outros destinos, reduzir a produção ou armazenar parte da mercadoria.