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Economia

Calor de 40°C ameaça pastagens e exige atenção do agro em Cáceres

Calor próximo de 40°C e baixa umidade ameaçam pastagens, rebanhos e propriedades rurais em Cáceres. Veja os cuidados necessários no campo.

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Temperaturas próximas dos 40°C aumentam a preocupação com pastagens e lavouras. Imagem Gerada por IA

O calor intenso que atinge Mato Grosso na última semana de julho também acende um alerta para a agropecuária, principal atividade econômica do estado e de grande importância para Cáceres e toda a região oeste.

Com temperaturas próximas dos 40°C, umidade do ar abaixo de 30% e ausência prolongada de chuvas, produtores precisam reforçar o manejo dos animais, das pastagens, dos reservatórios de água e das áreas com maior risco de incêndio.

O Instituto Nacional de Meteorologia já previa, para julho de 2026, temperaturas mais de 2°C acima da média histórica no noroeste e no sudoeste de Mato Grosso. O oeste do estado está justamente entre as áreas mais sujeitas às anomalias positivas de temperatura.

Pastagens perdem qualidade durante a estiagem

Na pecuária extensiva, predominante em muitas propriedades da região de Cáceres, o tempo seco reduz o crescimento e acelera o ressecamento das pastagens. Com menor oferta e qualidade da forragem, o gado pode perder peso ou apresentar menor ganho diário, principalmente quando não há suplementação adequada.

O produtor deve avaliar a disponibilidade de capim, ajustar a quantidade de animais em cada piquete e evitar o superpastejo. A manutenção de uma altura mínima da pastagem ajuda a proteger o solo e favorece a recuperação da vegetação quando as chuvas retornarem.

Também é importante planejar a oferta de sal mineral, proteína e alimentação complementar conforme a categoria do rebanho. Matrizes em reprodução, bezerros e animais em terminação exigem atenção especial durante períodos prolongados de seca.

Calor afeta consumo de água e desempenho do gado

Temperaturas elevadas podem provocar estresse térmico nos bovinos. Nessas condições, os animais passam mais tempo procurando sombra, aumentam a frequência respiratória e podem reduzir o consumo de alimento, prejudicando o desempenho produtivo.

Pesquisas da Embrapa apontam que a falta de proteção contra o calor compromete o conforto e o bem-estar dos animais mantidos em pastagens. Sistemas com árvores, áreas sombreadas ou estruturas de proteção ajudam a reduzir a exposição direta à radiação solar.

Bebedouros, açudes e reservatórios devem ser verificados diariamente. A água precisa estar limpa, acessível e em quantidade suficiente. Em propriedades com muitos animais, a vazão do sistema deve permitir que vários bovinos bebam sem disputas ou longos deslocamentos.

Incêndios representam risco para propriedades rurais

A combinação de capim seco, baixa umidade e altas temperaturas aumenta rapidamente a inflamabilidade da vegetação. Uma pequena faísca em máquinas, cercas elétricas, redes de energia ou margens de estradas pode dar início a um incêndio de grandes proporções.

Em Mato Grosso, o uso do fogo para limpeza ou manejo das áreas rurais está proibido entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. A medida busca reduzir os incêndios durante o período de estiagem.

Os produtores devem manter aceiros limpos, revisar equipamentos, retirar materiais combustíveis próximos de depósitos e organizar meios de combate inicial, como tratores com grades, abafadores e reservatórios móveis de água. O Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193 diante de qualquer foco fora de controle.

Planejamento reduz perdas no campo

Apesar de ainda não haver levantamento consolidado de perdas agropecuárias provocadas por este episódio de calor, as condições exigem prevenção. O acompanhamento da previsão meteorológica, o manejo antecipado das pastagens e a garantia de água e alimentação são medidas essenciais.

Na região de Cáceres, onde a pecuária convive com áreas de Cerrado e Pantanal, a atenção deve ser permanente. O calor extremo não representa apenas desconforto: pode aumentar custos, reduzir a produtividade e colocar animais, trabalhadores e propriedades em risco.

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