Após quatro suspeitos morrerem em confronto com o BOPE, investigação do caso San Matías revela chats, buscas em imóveis, suspeito foragido e apuração patrimonial.
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Após quatro suspeitos morrerem em confronto com o BOPE, investigação do caso San Matías revela chats, buscas em imóveis, suspeito foragido e apuração patrimonial.
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A morte de quatro bolivianos em confronto com o BOPE de Mato Grosso do Sul não encerrou a investigação sobre a organização suspeita de envolvimento na emboscada que matou o policial Yerson Salazar Aliendres, na região de San Matías, fronteira da Bolívia com Mato Grosso. Novas diligências realizadas em Santa Cruz ampliaram a apuração para patrimônio, familiares e possíveis integrantes ainda foragidos.
Entre os mortos em São Gabriel do Oeste estava José Mariano Paz Chávez, de 29 anos, conhecido como “Piña”, apontado pela Polícia Boliviana como um dos autores materiais da morte do policial e suspeito de ocupar posição importante no narcotráfico. Também morreram Cristian Guzmán Parada, Bruno Bascopé Jordán e José Oscar Lacoa Rapu.
Um dos principais fatos novos surgiu com a apreensão de um celular durante buscas realizadas em San Ignacio de Velasco. Segundo a imprensa de Santa Cruz, mensagens atribuídas a um suspeito identificado como “Mateo” fazem referências ao cerco policial, à localização do corpo de Salazar e a uma pista clandestina que pode ter sido utilizada na fuga de “Piña” em direção ao Brasil.
“Mateo” continua foragido e, segundo investigadores bolivianos, estaria escondido na região das serranias de San Matías. A polícia também pediu aprofundamento das investigações sobre possível tráfico de armas a partir dos elementos encontrados.
A Força Especial de Luta Contra o Crime (Felcc) e o Ministério Público boliviano também avançaram sobre os bens ligados ao grupo. Uma residência atribuída a “Piña”, em Ascensión de la Frontera, foi alvo de busca, com apreensão de munições, máscaras e outros objetos.
Paralelamente, a Promotoria especializada em perda de domínio abriu investigação relacionada a possível legitimação de ganhos ilícitos envolvendo familiares dos quatro homens mortos no Brasil. O objetivo é identificar patrimônio e eventuais conexões financeiras da estrutura criminosa.
Ao menos sete outros investigados foram enviados preventivamente ao presídio de Palmasola, em Santa Cruz, no decorrer das investigações sobre a onda de violência na fronteira.
Outro desdobramento ocorre dentro das próprias instituições bolivianas. A Felcc anunciou uma auditoria de processos anteriores relacionados a Paz Chávez, inclusive para esclarecer sua libertação após ter sido detido em janeiro deste ano.
A investigação pretende reconstruir casos nos quais o nome de “Piña” apareceu e identificar pessoas de seu círculo. Registros consultados pela imprensa boliviana mostram que ele havia sido relacionado ao longo dos anos a denúncias por crimes como sequestro, ameaças e narcotráfico, mas vários procedimentos foram posteriormente arquivados ou rejeitados.
Autoridades e veículos bolivianos também relacionam “Piña” ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset. No Brasil, entretanto, o comando do BOPE informou após a operação que ainda não havia confirmado vínculo direto dos quatro mortos com uma facção ou organização criminosa específica.
A investigação, portanto, permanece aberta dos dois lados da fronteira, agora concentrada principalmente em descobrir quem financiava e auxiliava o grupo, quem ainda está foragido e qual era a estrutura utilizada para movimentar homens, armas e aeronaves entre Bolívia e Brasil.