Polícia Civil apreende 500 litros de diesel destinados ao garimpo ilegal na TI Sararé; ação expõe manutenção da cadeia logística na região.
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Polícia Civil apreende 500 litros de diesel destinados ao garimpo ilegal na TI Sararé; ação expõe manutenção da cadeia logística na região.
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A Polícia Civil apreendeu cerca de 500 litros de óleo diesel S500 que, segundo a investigação, seriam utilizados para abastecer máquinas empregadas no garimpo ilegal na região da Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso.
A carga foi localizada na noite de sexta-feira (28), durante diligências da Delegacia de Pontes e Lacerda na estrada de acesso à área indígena. O episódio reforça um dos principais desafios enfrentados pelas forças de segurança: interromper a estrutura de abastecimento que permite a continuidade da exploração clandestina de ouro mesmo após meses de operações.
De acordo com as informações divulgadas sobre a ocorrência, policiais receberam denúncias de que veículos estariam percorrendo a região durante a noite para transportar combustível e outros suprimentos destinados ao garimpo.
Durante as buscas, a equipe identificou uma Mitsubishi L200 branca transportando uma carga coberta por lona, com tambores parcialmente visíveis na carroceria.
O motorista teria desobedecido à ordem de parada. Após acompanhamento pela estrada de terra, a caminhonete foi encontrada abandonada alguns quilômetros adiante, com um dos pneus danificado. Os ocupantes fugiram a pé.
Na carroceria foram encontrados dez tambores com aproximadamente 50 litros de diesel cada. Um drone equipado com câmera termal chegou a acompanhar um dos suspeitos, que conseguiu entrar em uma área de mata e escapar. O veículo, o combustível e outros materiais foram levados à Delegacia de Pontes e Lacerda.
A apreensão ganha relevância pelo histórico recente do Sararé. Desde o início de 2026, as ações federais passaram a concentrar esforços não apenas na retirada de garimpeiros e destruição de máquinas, mas também na desarticulação da logística que sustenta a mineração ilegal.
Em janeiro, o Ministério da Justiça autorizou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública por 180 dias em apoio à Funai na Terra Indígena Sararé.
Em março, o governo federal iniciou uma operação de desintrusão em grande escala. Já nos primeiros dias, dezenas de pessoas foram detidas e máquinas, motores, geradores, acampamentos e outros equipamentos começaram a ser retirados ou inutilizados. A área indígena possui cerca de 67 mil hectares e aproximadamente 4,2 mil hectares já haviam sido afetados pelo garimpo, segundo dados oficiais divulgados durante a operação.
O bloqueio do abastecimento tornou-se um dos eixos declarados da ofensiva federal. Em abril, após duas semanas de desintrusão, o governo informou a inutilização de cerca de 20 mil litros de diesel e 4 mil litros de gasolina, além de postos e estruturas suspeitas de servir à cadeia logística do garimpo.
Naquele mesmo mês, o prejuízo estimado imposto às atividades ilegais já ultrapassava R$ 42 milhões. Em junho, após mais de 90 dias de operação, as equipes também haviam inutilizado 35 bunkers e 33 túneis usados para esconder equipamentos ou manter a exploração clandestina.
Mais recentemente, em 18 de agosto, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Solo Sagrado, voltada justamente à estrutura econômica do garimpo no Sararé, incluindo financiamento, suporte logístico e comercialização do ouro extraído ilegalmente.
A apreensão dos 500 litros de diesel indica que, apesar da pressão exercida pelas forças de segurança, tentativas de reabastecer a estrutura do garimpo continuam ocorrendo, exigindo fiscalização permanente nas rotas de acesso à terra indígena.