União Europeia suspende importações de produtos animais do Brasil. Restrição preocupa Mato Grosso, líder nacional no abate e grande exportador de carne.
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União Europeia suspende importações de produtos animais do Brasil. Restrição preocupa Mato Grosso, líder nacional no abate e grande exportador de carne.
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Entrou em vigor nesta quinta-feira (3) uma nova barreira da União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil, atingindo diretamente um setor estratégico para Mato Grosso: a carne bovina.
A medida decorre das novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Segundo a Comissão Europeia, a partir de 3 de setembro os países fornecedores precisam apresentar garantias de cumprimento das normas do bloco. O Brasil não consta atualmente na lista aprovada.
A restrição alcança produtos como carne bovina e de aves, ovos, mel e determinadas categorias de produtos de origem animal e aquicultura. A legislação europeia prevê que as exportações poderão ser retomadas quando forem demonstradas as garantias exigidas.
O impacto é especialmente relevante para Mato Grosso. Dados mais recentes do IBGE mostram que o estado continua como líder brasileiro no abate de bovinos, respondendo por 17,5% do total nacional no primeiro trimestre de 2026.
No comércio exterior, a dimensão é ainda maior. Entre janeiro e julho, os frigoríficos mato-grossenses exportaram 457,1 mil toneladas de carne bovina, gerando US$ 2,8 bilhões.
A União Europeia não é o principal destino em volume, mas está entre os mercados mais valiosos. Em fevereiro, o bloco pagou em média US$ 6.082 por tonelada da carne de Mato Grosso, o maior preço entre os principais destinos analisados pelo Instituto Mato-grossense da Carne. Até aquele mês, haviam sido embarcadas 5,3 mil toneladas, com receita de US$ 32,4 milhões.
A suspensão ocorre justamente quando Mato Grosso vinha ganhando espaço dentro do mercado europeu.
Somente para a Espanha, as exportações mato-grossenses saltaram de 549,7 toneladas em junho para 1,4 mil toneladas em julho, crescimento de 172%. De janeiro a julho foram 5,1 mil toneladas, 10,2% acima do mesmo período do ano passado.
Para o Brasil como um todo, a União Europeia comprou 63,7 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e julho de 2026, movimentando US$ 562,2 milhões. Estimativas setoriais apontam que a restrição aos diferentes produtos pode colocar em risco negócios próximos de US$ 2 bilhões por ano.
O Ministério da Agricultura afirma que mantém negociações técnicas com a União Europeia e sustenta que o Brasil busca cumprir integralmente os requisitos sanitários exigidos, sem pedir flexibilização das regras.
Uma auditoria europeia está em andamento no país, o que pode permitir revisão de parte das restrições. No caso da carne bovina, entretanto, uma solução pode ser mais demorada.
Para Mato Grosso, o problema vai além do volume eventualmente perdido. A União Europeia é um mercado de alto valor agregado, utilizado também como referência de qualidade e rastreabilidade. A prioridade do setor agora é preservar esse acesso e evitar que a barreira sanitária comprometa uma cadeia que vem batendo recordes de produção e exportação.