Suspeito relata ameaças e ordens por telefone para matar sargento da Marinha em Cáceres. Polícia investiga mandantes e circunstâncias do crime.
O suspeito apontado como autor dos disparos que mataram o primeiro-sargento da Marinha Anderson de Alencar Batista, de 43 anos, afirmou que cometeu o homicídio para quitar uma dívida de drogas com uma facção criminosa. Em relato divulgado na quinta-feira (1º), ele disse que recebeu ordens por telefone e foi ameaçado de morte caso não cumprisse a determinação.
O depoimento é o principal desdobramento do assassinato ocorrido na madrugada de quarta-feira (30), no bairro Jardim Universitário, em Cáceres. As declarações apresentam a versão do suspeito; a motivação e a participação dos possíveis mandantes permanecem sob investigação.
Ordem teria partido de dentro da cadeia
Na transcrição do relato, o suspeito afirma que não tinha recursos para pagar a dívida e tentou conseguir ajuda. Segundo ele, os responsáveis pela cobrança determinaram que praticasse um homicídio para encerrar o débito.
Questionado sobre a origem das ligações, respondeu que os interlocutores estavam dentro da cadeia. Disse ainda que tentou recusar a ordem, alegando nunca ter matado ninguém, mas ouviu que sua própria vida estava em risco.
Uma motocicleta teria sido entregue para que ele fosse ao endereço indicado. Após o crime, conforme sua versão, os responsáveis pela cobrança informaram que a dívida estava quitada.
Suspeito descreve preparação e disparos
O suspeito contou que cortou um fio da cerca elétrica, acionando o alarme. Depois de tentar entrar na propriedade sem conseguir, teria se afastado e retornado ao receber novas ameaças.
Ele afirmou que ficou escondido no mato, observando o militar verificar a cerca enquanto permanecia em contato telefônico com quem ordenava o ataque. Disse também que não recebeu uma fotografia da vítima, apenas o endereço e uma descrição física.
Segundo o relato, aproximou-se e atirou quando Anderson estava saindo pelo portão. Em seguida, fugiu de motocicleta e deixou o veículo e o revólver em um local indicado pelos interlocutores.
Informações atribuídas ao boletim de ocorrência acrescentam que os supostos mandantes teriam acompanhado a ação por videochamada. Essa circunstância também depende de confirmação pela investigação.
Polícia localizou arma e encaminhou sete suspeitos
Nas diligências realizadas após o homicídio, sete suspeitos foram encaminhados à delegacia. A Polícia Militar localizou um revólver calibre .38 apontado como utilizado no ataque, além de apreender munições e celulares.
A investigação apura possíveis funções de apoio, fuga e ocultação da arma. A Polícia Civil deverá confrontar o relato com as demais provas e esclarecer quem ordenou o assassinato.
Despedida teve honras militares
Anderson foi sepultado na quinta-feira (1º), no Cemitério Parque dos Ipês, em Cáceres, em cerimônia com honras militares conduzida pela Marinha do Brasil.
Além da versão apresentada pelo suspeito, a cobertura do caso registra uma hipótese de morte por engano. Ainda não há conclusão divulgada que esclareça por que o militar foi atingido.





