Alta dos custos, juros elevados e crise no crédito rural colocam em risco expansão da produção de milho no Brasil, afetando produtores de Mato Grosso.
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Alta dos custos, juros elevados e crise no crédito rural colocam em risco expansão da produção de milho no Brasil, afetando produtores de Mato Grosso.
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O Brasil vive um momento decisivo para a cadeia produtiva do milho. Considerado cada vez mais estratégico para o agronegócio nacional, o cereal vem ampliando sua importância econômica e pode, no futuro, superar até mesmo a soja em volume de produção. No entanto, produtores rurais enfrentam uma combinação de fatores que ameaça a próxima safra e preocupa o setor agrícola.
Entre os principais problemas estão o aumento expressivo dos custos de produção, dificuldades de acesso ao crédito rural, alta dos fertilizantes e juros considerados incompatíveis com a realidade do campo. O cenário preocupa especialmente estados produtores como Mato Grosso, principal polo agrícola do país e referência nacional na produção de milho segunda safra.
Segundo representantes do setor, o potencial produtivo brasileiro continua enorme, mas a atual conjuntura econômica pode limitar investimentos e reduzir o nível tecnológico utilizado nas lavouras.
Nas últimas décadas, a produção de milho no Brasil passou por uma transformação histórica. Na década de 1970, a produtividade média nacional girava em torno de 30 sacas por hectare. Atualmente, algumas regiões já alcançam médias próximas de 200 sacas por hectare, resultado do avanço tecnológico, da mecanização e do uso de sementes mais produtivas.
O crescimento da produção do cereal também está diretamente ligado à expansão do etanol de milho, segmento que vem aumentando rapidamente no país, especialmente em Mato Grosso. O estado concentra importantes indústrias do setor e se consolidou como um dos maiores produtores nacionais do grão.
Representantes do agronegócio defendem que o milho deixou de ser uma cultura secundária e passou a ocupar papel estratégico dentro das propriedades rurais. Além de fortalecer a renda do produtor, o cereal ajuda a diluir custos operacionais e amplia a viabilidade econômica das fazendas.
Na região oeste de Mato Grosso, incluindo municípios na região de Cáceres, muitos produtores vêm apostando no milho safrinha como alternativa para manter rentabilidade e ampliar produtividade agrícola.
Apesar do potencial de crescimento, o setor enfrenta um cenário de forte pressão financeira para a safra 2026/27. A alta dos fertilizantes e problemas logísticos internacionais elevam os custos de produção justamente em um momento de preços mais baixos das commodities agrícolas.
Especialistas apontam que conflitos internacionais e dificuldades no transporte marítimo vêm afetando diretamente o fornecimento de insumos agrícolas. Fertilizantes importados estão mais caros e sujeitos a atrasos, o que aumenta a insegurança dos produtores.
Além disso, o crédito rural se tornou uma das principais preocupações do agronegócio brasileiro. Lideranças do setor afirmam que as taxas de juros atuais dificultam novos financiamentos e impedem renegociações de dívidas.
Em Mato Grosso, produtores relatam aumento do endividamento e dificuldades para obtenção de garantias junto às instituições financeiras. Mesmo com disponibilidade de recursos no sistema bancário, muitos agricultores não conseguem acesso ao crédito necessário para investir na próxima safra.
O tema também vem mobilizando parlamentares ligados ao agronegócio, que defendem mudanças profundas no atual modelo do Plano Safra. A avaliação é que o sistema de financiamento agrícola precisa ser modernizado para acompanhar o tamanho e a importância do agro brasileiro.
Apesar das dificuldades, o setor mantém perspectivas positivas para o futuro do milho no Brasil. O crescimento do mercado interno, da produção de proteínas animais e do etanol de milho segue impulsionando a demanda pelo cereal.
Especialistas avaliam que, caso o país consiga melhorar as condições de crédito, ampliar investimentos em logística e garantir maior estabilidade econômica, o milho poderá continuar expandindo sua participação no agronegócio nacional.
Em Mato Grosso, principal produtor brasileiro, o desempenho da próxima safra será acompanhado de perto por produtores, cooperativas e investidores. A região de Cáceres também observa com atenção os movimentos do mercado agrícola, já que o agronegócio possui forte impacto na economia local e regional.
Enquanto isso, agricultores aguardam definições sobre políticas de financiamento e medidas que possam reduzir os custos de produção, garantindo maior segurança para o planejamento da próxima temporada agrícola.