Ação do MPT pede proibição do glifosato no Brasil e reacende debate sobre saúde, produtividade e impactos no agronegócio de Mato Grosso.
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Ação do MPT pede proibição do glifosato no Brasil e reacende debate sobre saúde, produtividade e impactos no agronegócio de Mato Grosso.
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O herbicida glifosato, considerado o mais utilizado no Brasil e no mundo, voltou ao centro de uma forte disputa judicial e científica que preocupa diretamente produtores rurais do Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, maior produtor de soja do país. Uma ação ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) pede à Justiça Federal a proibição do registro e da comercialização de produtos à base da substância no território nacional.
A medida reacendeu o debate entre saúde pública, segurança alimentar e impacto econômico no agronegócio brasileiro. O glifosato é amplamente utilizado em lavouras de soja, milho, algodão e outras culturas de grande escala, principalmente em sistemas agrícolas ligados ao plantio de sementes geneticamente modificadas resistentes ao herbicida.
Segundo o MPT, a ação se apoia em estudos internacionais que apontam possíveis riscos à saúde humana, incluindo relação com casos de câncer e contaminação ambiental. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou o glifosato em 2015 como “provavelmente cancerígeno para humanos”.
Apesar das preocupações levantadas por entidades de saúde e ambientalistas, órgãos reguladores em diversos países mantêm o produto liberado. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluiu em reavaliação técnica realizada em 2020 que o glifosato poderia continuar sendo utilizado, desde que observadas restrições e medidas de segurança.
A Bayer, fabricante do Roundup — herbicida mais conhecido à base de glifosato — afirmou que autoridades científicas regulatórias do Brasil, Estados Unidos, Canadá e União Europeia continuam considerando o produto seguro quando utilizado corretamente.
Por outro lado, entidades de trabalhadores rurais defendem cautela. A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) reconhece preocupação com impactos na saúde dos agricultores e no meio ambiente, mas alerta que uma eventual proibição exigiria transição planejada para evitar prejuízos econômicos e aumento de custos para pequenos produtores.
Mato Grosso aparece no centro das discussões por liderar a produção nacional de soja e utilizar grandes volumes de defensivos agrícolas. O tema já motivou ações anteriores no estado, incluindo tentativas de restrição ao uso do glifosato em anos anteriores.
Especialistas do setor agrícola avaliam que uma eventual suspensão imediata do herbicida poderia impactar diretamente os custos de produção, o controle de ervas daninhas e a produtividade das lavouras. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por alternativas menos agressivas ao meio ambiente e por maior fiscalização no uso de defensivos.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o pedido do MPT. O caso deve gerar forte repercussão no agronegócio brasileiro nos próximos meses.