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Brasil, Economia

De uma pequena oficina “conserta-se tudo” à liderança global: a trajetória da Jacto que brilha na Agrishow

Presente na maior feira agropecuária do Brasil, a Jacto apresenta inovações tecnológicas e relembra uma história marcada por pioneirismo, iniciada pelo imigrante japonês Shunji Nishimura no interior paulista.

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Pulverizador autônomo Jacto Arbus 4000 JAV – Imagem Jacto

A multinacional brasileira Jacto é um dos grandes destaques da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), reforçando sua posição como uma das empresas mais influentes do mundo no setor de máquinas e soluções agrícolas. Com um portfólio robusto de inovações — incluindo equipamentos autônomos e tecnologias de alta precisão — a companhia reafirma seu compromisso histórico com pesquisa e desenvolvimento no agronegócio.

Entre os lançamentos apresentados na feira, o destaque é o pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV, desenvolvido com engenharia 100% nacional, capaz de operar sem motorista e elevar significativamente a produtividade no campo. A empresa também trouxe avanços em pulverização inteligente, agricultura digital e até uma inédita colhedora de cana de duas linhas, consolidando sua posição de vanguarda tecnológica.

Mas por trás da inovação que hoje impressiona o mundo, existe uma história que começa de forma simples — quase improvável — no interior paulista.


O imigrante que construiu um legado

A trajetória da Jacto está diretamente ligada à história de seu fundador, Shunji Nishimura, um imigrante japonês que chegou ao Brasil em 1932, aos 21 anos, em busca de oportunidades. Natural de Kyoto, Nishimura desembarcou no porto de Santos e iniciou sua vida no país trabalhando na lavoura de café, enfrentando condições difíceis e salários baixos.

Determinado, passou por diferentes atividades — de copeiro a operário — enquanto estudava e buscava se qualificar. Em São Paulo, trabalhou como torneiro e soldador, enfrentando dificuldades financeiras a ponto de, muitas vezes, se alimentar apenas de pão com banana.

Foi no interior do Estado, na pequena Pompeia, região de Marília, que sua história mudou. Em 1939, abriu uma oficina com uma placa simples: “Conserta-se Tudo”. Ali, começou a atender agricultores da região, consertando equipamentos e desenvolvendo soluções práticas para o dia a dia no campo.


O nascimento da Jacto e a inovação no campo

A experiência com manutenção de equipamentos agrícolas levou Nishimura a identificar uma necessidade clara: as polvilhadeiras importadas não tinham assistência técnica adequada no Brasil. A partir dessa lacuna, ele desenvolveu um modelo próprio, mais eficiente e adaptado à realidade local.

Nascia, em 1948, a primeira polvilhadeira nacional e, junto com ela, a marca Jacto — início de uma trajetória que transformaria a empresa em referência global no agronegócio.

Sob a liderança de Nishimura, a empresa cresceu com base em inovação contínua e forte conexão com o produtor rural. Décadas depois, já sob gestão familiar e profissionalizada, a Jacto expandiu suas operações para diversos países, com presença industrial e comercial em vários continentes.

Hoje, seus produtos estão em mais de 110 países, com fábricas na América, Europa e Ásia, mantendo o DNA brasileiro e a engenharia desenvolvida no interior paulista como diferencial competitivo.


Da origem humilde ao protagonismo na Agrishow

A presença da Jacto na Agrishow 2026 simboliza não apenas sua força atual, mas a continuidade de um legado iniciado há quase oito décadas. A empresa, que nasceu de uma pequena oficina, hoje dita tendências tecnológicas no campo, com soluções que envolvem automação, inteligência artificial e agricultura digital.

O atual CEO, Carlos Daniel Haushahn, destaca que o compromisso com inovação permanece como um valor central da companhia, mesmo diante de cenários econômicos desafiadores. A visão de longo prazo, herdada do fundador, segue orientando os investimentos e o desenvolvimento de novos produtos.

Além dos lançamentos, o estande da Jacto na feira também funciona como vitrine de sua trajetória — um elo entre passado e futuro. A empresa mostra que a evolução tecnológica no campo brasileiro tem raízes profundas, construídas com trabalho, resiliência e visão empreendedora.

A história de Shunji Nishimura é preservada em museu e memorial em Pompeia, onde estão registrados os primeiros passos de uma jornada que ajudou a moldar o agronegócio nacional.

Da placa improvisada em uma oficina à liderança global, a Jacto chega à Agrishow reafirmando seu papel como símbolo da capacidade brasileira de inovar e competir em escala mundial.

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