Celebrado neste 25 de agosto, São Luís de França esteve no antigo nome da cidade por mais de seis décadas e continua presente na Catedral, na Diocese e em uma das mais tradicionais festas religiosas de Cáceres
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Celebrado neste 25 de agosto, São Luís de França esteve no antigo nome da cidade por mais de seis décadas e continua presente na Catedral, na Diocese e em uma das mais tradicionais festas religiosas de Cáceres
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Cáceres vive nesta terça-feira (25) o Dia de São Luiz, padroeiro do município. A data é feriado municipal, estabelecido pela Lei Municipal nº 2.456, de 23 de outubro de 2014, e encerra a programação dos festejos religiosos realizados ao longo de agosto.
Mais do que uma celebração do calendário católico, porém, a relação entre São Luís de França e Cáceres atravessa boa parte da história da cidade. O nome do santo já identificava a localidade ainda no período colonial e, durante 64 anos, fez parte oficialmente do próprio nome do município.
Cáceres foi fundada em 6 de outubro de 1778, por determinação do então governador da Capitania de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, inicialmente com o nome de Vila Maria do Paraguai.
Estudos históricos registram que, ao ser elevada à condição de freguesia em 1780, a localidade passou a ser denominada São Luiz de Vila Maria do Paraguai, tendo São Luís de França como padroeiro.
A ligação ficou ainda mais evidente no século XIX. Em 1874, quando a antiga vila foi elevada à categoria de cidade, recebeu oficialmente o nome de São Luiz de Cáceres. A denominação reunia duas referências: São Luís, o padroeiro, e Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, responsável pela fundação do povoado.
Somente em 1938, por força do Decreto-Lei nº 208, o município passou a se chamar simplesmente Cáceres. O nome do santo desapareceu da denominação administrativa, mas permaneceu fortemente ligado à identidade religiosa e cultural da cidade.
Essa ligação também está materializada no centro histórico. A Catedral São Luiz, diante da Praça Barão do Rio Branco, tornou-se um dos principais símbolos arquitetônicos de Cáceres.
A construção do templo atual começou em 1919 e atravessou décadas de dificuldades até sua conclusão na década de 1960. Na Páscoa de 1965, a igreja foi entregue à comunidade pelo então bispo Dom Máximo Biennès. Sua arquitetura de inspiração neogótica tornou a Catedral uma referência visual do centro da cidade.
O nome permanece ainda na própria estrutura da Igreja Católica regional: a circunscrição eclesiástica é denominada Diocese de São Luiz de Cáceres. A história publicada pela Diocese também registra a passagem da antiga Vila de São Luiz do Paraguai para São Luiz de Cáceres.
Em 2026, a Catedral voltou ao centro das discussões sobre preservação do patrimônio. Uma reunião pública realizada na Câmara Municipal neste mês tratou da captação de recursos para restauração e climatização do templo, inclusive por meio de projeto vinculado à Lei Rouanet.
O padroeiro de Cáceres é Luís IX, rei da França, nascido em Poissy, em 1214. Tornou-se rei ainda jovem e governou a França no século XIII. Na tradição católica, é lembrado especialmente pela religiosidade, pelas obras de caridade e pela preocupação com a justiça.
Luís IX morreu em 25 de agosto de 1270, durante uma expedição no norte da África. Foi canonizado pelo papa Bonifácio VIII em 1297, e sua memória litúrgica passou a ser celebrada justamente em 25 de agosto.
É essa data, portanto, que séculos depois se tornou o feriado dedicado ao padroeiro de Cáceres.
A programação de 2026 começou em 16 de agosto, com a tradicional procissão fluvial pelo Rio Paraguai, seguida pela novena, missas, quermesses e atividades comunitárias.
Nesta terça-feira, a programação prevê missa com militares às 7h e, às 17h, procissão de São Luiz e missa campal na Praça Barão do Rio Branco, reunindo as paróquias de Cáceres. A celebração encerra os dez dias de festejos.
A permanência da tradição ajuda a explicar por que, mesmo depois de 88 anos sem “São Luiz” no nome oficial do município, o padroeiro continua presente em alguns dos principais símbolos de Cáceres — na Catedral, na Diocese, na festa anual e na própria memória histórica da cidade.