El Niño aumenta riscos para milho, soja e açúcar. Em Mato Grosso, irregularidade das chuvas pode afetar safras, custos e preços dos alimentos.
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El Niño aumenta riscos para milho, soja e açúcar. Em Mato Grosso, irregularidade das chuvas pode afetar safras, custos e preços dos alimentos.
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O retorno do El Niño deve produzir efeitos diferentes sobre as principais culturas agrícolas brasileiras. Milho e açúcar aparecem entre as commodities mais vulneráveis, enquanto a soja tende a apresentar maior capacidade de resistência no conjunto do país.
A avaliação consta de relatório da XP Investimentos, que não prevê um choque generalizado de oferta, mas alerta para perdas localizadas, dependendo da intensidade do fenômeno, da região produtora e da fase de desenvolvimento das lavouras. Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, o comportamento das chuvas será decisivo para a safra 2026/27.
O milho é apontado como a cultura mais exposta aos efeitos do El Niño. A principal preocupação envolve a segunda safra, conhecida como safrinha, cuja produtividade depende diretamente da regularidade das chuvas após a colheita da soja.
Em Mato Grosso, grande parte do milho é semeada dentro de uma janela relativamente curta. Qualquer atraso no plantio da soja pode empurrar a semeadura do cereal para um período de menor disponibilidade de água.
Segundo a análise da XP, eventos mais intensos de El Niño já provocaram perdas superiores a 30% em áreas vulneráveis do Centro-Oeste e do Matopiba. Isso não significa que a redução se repetirá automaticamente, mas reforça a necessidade de acompanhamento climático durante o ciclo.
Em âmbito nacional, a soja apresenta risco menor porque as perdas em algumas regiões podem ser compensadas por resultados melhores em outras. O Rio Grande do Sul, por exemplo, costuma receber chuvas mais regulares durante episódios de El Niño.
Em Mato Grosso, entretanto, o risco está relacionado à possível irregularidade das precipitações no início do plantio. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária projetou produtividade média de 62,44 sacas por hectare na safra 2026/27, redução de 5,43% em relação ao ciclo anterior.
A produção estadual foi estimada em 48,88 milhões de toneladas, queda de 5,19%. O cenário mais conservador considera, além do risco climático, juros elevados, crédito restrito e custos maiores com diesel e fertilizantes.
O açúcar também está entre os produtos sensíveis ao fenômeno. Problemas simultâneos nas lavouras do Brasil, Índia e Tailândia poderiam reduzir a oferta mundial e sustentar preços internacionais mais elevados. A análise, porém, destaca que essa não é a projeção central para o mercado neste momento.
Os reflexos para o consumidor podem aparecer gradualmente. Uma quebra no milho encarece a alimentação de aves, suínos e bovinos confinados, pressionando os custos de carnes, ovos, leite e derivados.
Reduções na soja também podem afetar o óleo de cozinha e as rações. Já dificuldades na cana-de-açúcar podem repercutir no açúcar e no etanol.
O Instituto Nacional de Meteorologia informa que as condições de El Niño já estão presentes e podem persistir até o fim do verão de 2026/27. O fenômeno não produz efeitos idênticos em todas as localidades, por isso previsões regionais devem ser acompanhadas continuamente.
Para produtores mato-grossenses, as principais medidas envolvem respeitar o zoneamento agrícola, escalonar o plantio quando possível, revisar o seguro rural e evitar decisões baseadas apenas em previsões de longo prazo. Para o consumidor, ainda não há indicação de desabastecimento, mas milho, carnes, óleos e açúcar estão entre os itens que merecem atenção nos próximos meses.