Mato Grosso registrou quase 36 mil casos de estelionato em 2025. Polícia Civil alerta sobre golpes bancários, falsas ofertas, ameaças e fraudes com inteligência artificial.
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Mato Grosso registrou quase 36 mil casos de estelionato em 2025. Polícia Civil alerta sobre golpes bancários, falsas ofertas, ameaças e fraudes com inteligência artificial.
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Mato Grosso registrou quase 36 mil ocorrências de estelionato em 2025, média de aproximadamente 98 casos por dia. O avanço das fraudes, especialmente por telefone, redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de compra e venda, levou a Polícia Civil a reforçar as orientações preventivas à população.
Segundo o delegado Fábio Matheus, da Polícia Judiciária Civil, os criminosos adaptaram suas estratégias ao crescimento das transações digitais. Ofertas falsas, clonagem de contas, ligações em nome de bancos, ameaças e pedidos urgentes de transferência estão entre as abordagens mais frequentes.
Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o estado contabilizou 35.926 estelionatos em 2025, contra 30.940 no ano anterior. O aumento foi de 14,4%, com quase cinco mil registros adicionais.
A taxa chegou a 922,7 ocorrências para cada 100 mil habitantes, colocando Mato Grosso na nona posição entre os estados com maior incidência proporcional. O crescimento estadual foi superior à variação nacional, estimada em 2,7% no mesmo período.
No Brasil, os estelionatos já haviam ultrapassado 2,1 milhões de registros em 2024. Somente as fraudes praticadas por meios eletrônicos cresceram 17% naquele ano, demonstrando a migração acelerada dos crimes patrimoniais para o ambiente digital.
Conforme o delegado, uma característica comum dos golpes é a pressão para que a vítima tome uma decisão imediatamente. Os criminosos afirmam que uma conta será bloqueada, que uma compra suspeita precisa ser cancelada ou que um familiar está em perigo.
A orientação é interromper o contato e procurar a instituição mencionada utilizando exclusivamente os canais oficiais. Bancos não costumam solicitar senhas, tokens, códigos de confirmação ou instalação de aplicativos por ligação ou mensagem.
Idosos e outras pessoas vulneráveis continuam entre os alvos preferenciais. Adolescentes também podem ser abordados em jogos e plataformas que permitem interação, pagamentos ou transferências entre usuários.
O uso da inteligência artificial ampliou os riscos. Vozes, fotografias e vídeos podem ser manipulados para simular familiares, funcionários de empresas ou autoridades. Por isso, pedidos de dinheiro devem ser confirmados por outro canal, preferencialmente por ligação direta ou contato presencial.
Publicações abertas em redes sociais ajudam criminosos a descobrir nomes de familiares, locais frequentados, viagens e rotinas. Esses dados tornam as abordagens mais convincentes.
A Polícia Civil recomenda restringir a visualização dos perfis, evitar divulgar informações pessoais e não atender números desconhecidos quando houver suspeita. Pesquisar o telefone na internet também pode revelar denúncias feitas por outras vítimas.
Em casos de ameaça, inclusive quando o contato parte de criminosos que afirmam atuar de dentro de presídios, a orientação é não realizar pagamentos. Ceder à primeira exigência não encerra a extorsão e pode gerar novos pedidos.
A vítima deve entrar imediatamente em contato com o banco, solicitar o bloqueio da transação e registrar boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia virtual. Comprovantes, números de telefone, conversas, áudios, endereços de perfis e dados das contas beneficiárias devem ser preservados.
Nos golpes envolvendo Pix, a instituição financeira pode iniciar o Mecanismo Especial de Devolução, procedimento destinado a tentar bloquear e recuperar valores ainda disponíveis na conta recebedora. A devolução, porém, depende da análise do caso e da existência de saldo.
A prevenção continua sendo a principal proteção. Diante de ofertas vantajosas, cobranças inesperadas ou mensagens marcadas pela urgência, a recomendação é parar, confirmar as informações e não fornecer dados antes de verificar quem está do outro lado.