San Matías registra quatro ataques a tiros em cerca de 20 dias. Cronologia aponta seis mortos, feridos e reforço das operações na fronteira com o Brasil.
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San Matías registra quatro ataques a tiros em cerca de 20 dias. Cronologia aponta seis mortos, feridos e reforço das operações na fronteira com o Brasil.
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A sequência de ataques armados registrada em San Matías, município boliviano vizinho à região de Cáceres, ganhou um novo capítulo e revela uma situação ainda mais grave do que indicavam os primeiros balanços. Em cerca de 20 dias, foram registrados quatro episódios com armas de fogo, seis mortes confirmadas e pelo menos três pessoas feridas.
O levantamento publicado nesta quarta-feira (19) pelo portal boliviano Visión 360 aponta quatro tiroteios no período com 6 mortes.
A escalada começou em 29 de julho, na propriedade Campo Nuevo, na região de San Matías. Homens armados atacaram pessoas que estavam no local.
Inicialmente, o episódio foi tratado como um triplo homicídio, porque três vítimas morreram durante o ataque. Uma quarta pessoa, Rildo Achaval Pillay, foi socorrida em estado grave, mas morreu posteriormente em um hospital de Cáceres. Assim, o saldo definitivo daquele atentado chegou a quatro mortos.
As outras vítimas foram identificadas pela imprensa boliviana como Denys Espinoza Pedraza, Manuel Égüez Hurtado e Luis Alberto Rapp.
No dia seguinte, 30 de julho, a violência atingiu diretamente as forças de segurança. Uma equipe policial que seguia para a região de Ascensión de la Frontera, durante as diligências relacionadas ao primeiro ataque, foi emboscada.
O subtenente Yerson Salazar Aliendres morreu e outro policial ficou ferido. Os criminosos levaram o corpo do oficial, localizado posteriormente nas proximidades de uma pista clandestina onde também foram encontrados uma aeronave, combustível e materiais relacionados à atividade criminosa.
As investigações levaram à prisão de sete pessoas. Em 8 de agosto, a Justiça boliviana determinou 180 dias de prisão preventiva para os investigados por suposta participação no assassinato de Salazar.
A terceira ocorrência aconteceu em 14 de agosto, dentro de uma barbearia no bairro San José. Pablo Roberto Saavedra de Souza, de 31 anos, morreu após ser atingido por vários disparos. O vereador Iverth Ricardo Gantier Vargas também foi baleado e posteriormente encaminhado para atendimento em Cáceres.
Quatro dias depois, na noite de 18 de agosto, homens armados invadiram uma residência no bairro Cristo Rey e atiraram contra Jaime Justiniano, de 55 anos. Ele foi atingido nas pernas. Segundo relatos divulgados pela imprensa boliviana, os autores fugiram em direção à fronteira brasileira.
A sequência ocorreu mesmo após o reforço das forças de segurança e o lançamento do Plano Frontera Segura, que prevê atuação permanente de unidades especializadas em pontos considerados críticos da divisa entre Bolívia e Brasil, incluindo San Matías.
Autoridades bolivianas têm relacionado a deterioração da segurança na região à atuação de organizações criminosas transnacionais. O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que uma das hipóteses investigadas é uma disputa por corredores do narcotráfico envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Essa ligação, entretanto, precisa ser tratada com cautela. Embora autoridades apontem a disputa entre grupos brasileiros como explicação para a escalada da violência, não está demonstrado publicamente que os quatro ataques tenham sido praticados pelo mesmo grupo ou que todos estejam diretamente conectados entre si.
Para Cáceres e toda a região oeste de Mato Grosso, a situação permanece especialmente sensível pela proximidade geográfica e pela circulação transfronteiriça. A sucessão de atentados em menos de três semanas mostra que a crise de segurança em San Matías deixou de ser formada por episódios isolados e passou a exigir acompanhamento permanente dos dois lados da fronteira.