Decisão da União Europeia contra exportações brasileiras acende alerta no agronegócio de Mato Grosso e preocupa produtores de Cáceres.
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A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, animais vivos e produtos de origem animal ao bloco europeu repercutiu fortemente no setor agropecuário brasileiro e acendeu um sinal de alerta em Mato Grosso, estado que lidera a produção de carne bovina no país.
Em Cáceres, município localizado na região Oeste de Mato Grosso e considerado uma das importantes bases da pecuária pantaneira, produtores rurais acompanham com preocupação os desdobramentos da medida anunciada nesta terça-feira (12) pela Comissão Europeia.
A restrição entra em vigor no próximo dia 3 de setembro e impede exportações brasileiras de bovinos, aves, ovos, peixes, mel, equinos e outros produtos de origem animal para os países europeus.
O principal motivo alegado pela União Europeia é a falta de garantias consideradas suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
A notícia possui impacto relevante para Cáceres devido ao peso histórico da pecuária na economia regional. O município, conhecido nacionalmente pela tradição na criação de gado de corte, integra uma das áreas mais importantes da atividade pecuária no Pantanal mato-grossense.
Além das fazendas de criação, toda a cadeia econômica da cidade possui importante ligação com o agronegócio, incluindo frigoríficos, transporte, comércio agropecuário e geração de empregos.
Mato Grosso, por sua vez, segue como líder nacional na produção de bovinos e nas exportações de carne, movimentando bilhões de reais anualmente.
Mesmo que a União Europeia não seja hoje o principal destino da carne brasileira — posição ocupada pela China — o mercado europeu possui grande importância estratégica devido ao elevado valor agregado dos produtos exportados e ao rigor sanitário internacional exigido pelo bloco.
Especialistas apontam que restrições europeias costumam gerar repercussão mundial, já que muitos países utilizam os padrões sanitários da UE como referência.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil deixou de atender integralmente às exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
Os antimicrobianos incluem antibióticos e substâncias utilizadas para combater bactérias, vírus, fungos e parasitas. O bloco europeu possui uma das legislações mais rígidas do mundo sobre o assunto e proíbe o uso desses medicamentos para estimular crescimento ou aumentar produtividade animal.
Também é vetada a utilização, em animais, de antibióticos considerados essenciais para tratamentos humanos.
A medida faz parte da política sanitária europeia conhecida como “One Health” (“Uma Só Saúde”), voltada ao combate da resistência antimicrobiana, considerada atualmente uma das maiores ameaças globais à saúde pública.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, informou que o Brasil poderá retornar à lista caso apresente garantias técnicas e sanitárias suficientes para atender às exigências do bloco.
Além da questão sanitária, a decisão também possui forte componente político e ocorre em meio às discussões envolvendo o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Agricultores europeus vêm pressionando autoridades do continente contra a entrada de produtos sul-americanos, alegando concorrência desleal e diferenças nas regras ambientais e sanitárias.
Nos bastidores, a exclusão do Brasil é vista como um gesto político para atender produtores rurais europeus, especialmente em países como França e Bélgica, onde há forte resistência ao acordo com o Mercosul.
Enquanto o Brasil foi retirado da lista, países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a exportar normalmente para o mercado europeu.
O comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que os produtores europeus seguem normas sanitárias extremamente rigorosas e que os produtos importados precisam obedecer aos mesmos critérios.
Até o momento, o Ministério da Agricultura brasileiro não divulgou posicionamento oficial detalhado sobre a decisão da União Europeia.
No entanto, representantes do agronegócio defendem intensificação das negociações diplomáticas e técnicas para evitar prejuízos maiores ao setor exportador.
A expectativa é que o governo federal apresente novas garantias sanitárias e mecanismos de controle sobre o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
Em Mato Grosso, entidades ligadas ao agronegócio acompanham atentamente o caso, principalmente diante da relevância econômica da produção bovina para o estado.