Inaugurada há oito meses, a ZPE de Cáceres ainda enfrenta desafios de energia, água e logística para atrair indústrias e iniciar operações efetivas.
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Nesta terça-feira, 24 de junho, a inauguração da sede administrativa e alfandegária da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Mato Grosso, em Cáceres, completa oito meses. O empreendimento, considerado um dos maiores projetos de desenvolvimento econômico da região Oeste do estado, segue sem registrar operações industriais efetivas ou geração concreta de empregos dentro da área destinada às empresas exportadoras.
Inaugurada em 24 de outubro de 2025 com a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e do governador Mauro Mendes, a estrutura recebeu investimentos de aproximadamente R$ 51,3 milhões e foi apresentada como um marco para a industrialização de Mato Grosso.
A expectativa criada durante a cerimônia era de que a conclusão da infraestrutura administrativa e alfandegária abrisse caminho para a instalação de empresas voltadas à exportação, aproveitando os benefícios tributários, cambiais e aduaneiros oferecidos pelo modelo de ZPE.
No entanto, oito meses depois, a realidade ainda está distante do cenário projetado. Imagens registradas no local mostram ausência de atividade industrial e de empreendimentos em funcionamento dentro da área do complexo.
Com a missão de acelerar o processo de implantação da ZPE, o Governo de Mato Grosso nomeou recentemente o empresário e ex-prefeito de Cáceres, Francis Maris Cruz, para a presidência da Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Cáceres (AZPEC).
Segundo Francis, o primeiro passo será solucionar gargalos estruturais considerados fundamentais para atrair investidores.
Entre os principais desafios apontados estão a ampliação da oferta de energia elétrica, a implantação do sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto e melhorias logísticas para acesso ao complexo industrial.
“Antes de convidar qualquer indústria para vir para Cáceres, precisamos resolver questões básicas. Hoje não temos energia suficiente para atender grandes empreendimentos. Também precisamos levar água, saneamento e melhorar a logística de acesso à ZPE”, afirmou.
De acordo com o novo presidente da AZPEC, a infraestrutura energética é o principal entrave para a instalação de empresas.
Francis relembrou que, ainda durante sua gestão como prefeito, alertou a concessionária Energisa sobre a necessidade de expansão da rede elétrica para atender futuras demandas industriais.
Outro desafio é garantir abastecimento de água para segmentos como frigoríficos, laticínios e indústrias de pescado, considerados potenciais candidatos para ocupar áreas da ZPE.
A logística também está na lista de prioridades. A proposta é viabilizar uma ligação viária que permita retirar o tráfego pesado de carretas do centro de Cáceres e criar acesso direto ao complexo industrial.
Criada há mais de três décadas, a ZPE de Cáceres é considerada estratégica por estar localizada próxima à fronteira boliviana e integrada aos corredores de exportação do Centro-Oeste.
A expectativa do Governo do Estado é que, após a solução dos gargalos estruturais, a administradora da ZPE inicie uma agenda de promoção nacional para apresentar o empreendimento a federações industriais e potenciais investidores.
A aposta é que os benefícios fiscais e as mudanças previstas com a reforma tributária aumentem a atratividade do complexo nos próximos anos.
Enquanto isso, a população acompanha com expectativa a evolução de um projeto que atravessou mais de 30 anos de espera e que ainda busca transformar o discurso de desenvolvimento em resultados concretos para Cáceres e toda a região Oeste de Mato Grosso.