Compartilhe

Compartilhe

Política

Pantanal Mato-grossense: Câmara acelera projeto que pode suspender ampliação da Estação de Taiamã

Câmara aprova urgência para projeto que pode suspender a ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, entre Cáceres e Poconé.

Por

Mapa da ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, localizada entre Cáceres e Poconé, no Pantanal de Mato Grosso. Imagem gerada por IA

A Câmara dos Deputados aprovou, em 14 de julho, o regime de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo nº 171/2026, que pretende suspender a ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, no Pantanal mato-grossense. A unidade de conservação abrange áreas dos municípios de Cáceres e Poconé.

A aprovação da urgência não derruba imediatamente a ampliação. A medida apenas permite que o mérito do projeto seja analisado diretamente pelo plenário da Câmara, com tramitação mais rápida.

Decreto ampliou área protegida em março

A ampliação foi determinada pelo Decreto Federal nº 12.887, assinado em 23 de março de 2026 e publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte. A norma acrescentou aproximadamente 56.959 hectares à Estação Ecológica de Taiamã, que passou de cerca de 11.543 hectares para uma área total aproximada de 68.502 hectares.

A Estação de Taiamã foi criada em 2 de junho de 1981. Como estação ecológica, integra o grupo de unidades de conservação de proteção integral e tem como finalidades principais a preservação da natureza e o desenvolvimento de pesquisas científicas.

O governo federal justificou a ampliação pela necessidade de proteger áreas alagáveis, habitats de espécies migratórias e ambientes relevantes para a biodiversidade do Pantanal. O anúncio ocorreu durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias, a COP15, realizada em Campo Grande.

Projeto foi apresentado oito dias depois

A deputada federal Coronel Fernanda, do PL de Mato Grosso, apresentou o PDL 171/2026 em 31 de março, oito dias depois da assinatura do decreto presidencial. O texto propõe sustar integralmente os efeitos da ampliação de Taiamã.

Na justificativa, a parlamentar argumenta que a medida federal teria sido adotada sem participação adequada dos proprietários, produtores e comunidades afetadas. Também sustenta que a ampliação pode gerar desapropriações, restrições de uso e insegurança jurídica na região.

O requerimento de urgência, de número 3.797/2026, foi protocolado em 7 de julho. Após tentativas de retirada e adiamento da matéria, o pedido acabou aprovado pelo plenário em 14 de julho.

Famato questiona falta de diálogo

Desde a publicação dos decretos, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso manifesta oposição às ampliações. A Famato afirma que as decisões foram tomadas sem diálogo suficiente e cobra estudos sobre os impactos fundiários, econômicos e logísticos para Cáceres, Poconé e propriedades vizinhas.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, responsável pela unidade, afirma que a ampliação busca proteger ambientes predominantemente alagáveis e fortalecer a conservação de espécies, estoques pesqueiros e recursos hídricos.

Suspensão ainda depende de votação

Com a urgência aprovada, o PDL 171/2026 está pronto para ser incluído na pauta do plenário da Câmara. Para efetivamente sustar o decreto, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado e, posteriormente, promulgada pelo Congresso Nacional.

Até a conclusão desse processo, o Decreto nº 12.887 continua em vigor e os limites ampliados da Estação Ecológica de Taiamã permanecem válidos.

Camidito reúne peregrinos em caminhada de 20 km até São Benedito
Cacerense Leonardo Corrêa conquista vaga para competir em Las Vegas
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Conteúdo relacionado