Com Mauro fora do cargo e Pivetta no governo, a disputa por Mato Grosso ganha novos movimentos, alianças e nomes para 2026.
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Com Mauro fora do cargo e Pivetta no governo, a disputa por Mato Grosso ganha novos movimentos, alianças e nomes para 2026.
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A corrida pelo governo de Mato Grosso em 2026 entrou em uma nova etapa. O movimento mais importante até aqui foi a saída de Mauro Mendes do comando do Estado para disputar o Senado, abrindo espaço para que Otaviano Pivetta assumisse o Palácio Paiaguás em definitivo. A troca mudou o ambiente político, reposicionou os grupos que já vinham se organizando nos bastidores e aumentou o peso das articulações partidárias num momento em que o eleitor ainda observa o cenário com atenção, mas sem definições fechadas.
Mais do que uma simples sucessão administrativa, o novo quadro redesenhou a disputa. Pivetta deixou de ser apenas o nome apoiado pelo grupo governista e passou a atuar como governador em exercício pleno, com mais visibilidade institucional e maior capacidade de influenciar o debate público. Ao mesmo tempo, adversários e potenciais aliados aceleraram conversas, reforçaram discursos e ajustaram estratégias para tentar ocupar espaço antes do início oficial da campanha.
Com a eleição marcada para outubro, a disputa mato-grossense se mostra, neste momento, menos previsível do que em outros ciclos. Há nomes consolidados, lideranças experientes e pré-candidaturas que tentam crescer a partir de nichos específicos, seja pelo vínculo com o agronegócio, pela força partidária, pela máquina estadual, pela oposição ideológica ou por um discurso de renovação.
A renúncia de Mauro Mendes teve efeito direto sobre a dinâmica da sucessão. Ao deixar o cargo, ele permitiu que Otaviano Pivetta assumisse o governo em definitivo e passasse a disputar a eleição com a caneta na mão, o que altera a forma como o eleitorado acompanha sua atuação. Na prática, Pivetta ganha mais presença no noticiário, mais responsabilidade sobre decisões administrativas e mais oportunidades de consolidar uma narrativa de continuidade da gestão.
Esse fator é relevante porque uma parte importante da disputa gira em torno do legado do atual grupo político. O campo governista tenta transformar a boa avaliação administrativa acumulada nos últimos anos em ativo eleitoral para a candidatura de Pivetta. A aposta é que a associação entre continuidade, estabilidade fiscal, obras e capacidade de gestão seja suficiente para manter o grupo competitivo até o começo da campanha.
Mas a mudança também abriu espaço para um ataque mais direto da oposição. Com Pivetta no centro do palco, ele passa a responder não apenas como herdeiro político de Mauro Mendes, mas também como gestor em primeira pessoa. Isso aumenta o potencial de cobrança sobre temas como prioridades orçamentárias, obras estruturantes, entregas concretas e relação com diferentes setores da sociedade.
Entre os nomes já colocados, Wellington Fagundes aparece como um dos principais protagonistas deste momento. Pesquisas recentes colocaram o senador na liderança dos cenários testados, o que fortaleceu sua posição dentro do PL e deu mais peso ao projeto de candidatura própria do partido ao governo. Em política, liderar com antecedência não garante vitória, mas muda o patamar da conversa, especialmente quando a pré-campanha ainda está em fase de alinhamento.
Além do desempenho nas sondagens, Wellington trabalha para se apresentar como nome competitivo num estado em que infraestrutura, logística e produção agropecuária têm grande relevância. Sua atuação recente em torno da BR-242 reforça justamente essa linha de discurso: a de alguém que busca associar sua imagem a obras, integração regional e destravamento de projetos considerados estratégicos para Mato Grosso.
Outro ponto importante é o esforço do PL para unificar o discurso interno e evitar ruídos. O partido vem tentando organizar seu campo, preservar Wellington como cabeça de chapa e manter abertura para composições que ampliem sua capilaridade. Esse processo pode ser decisivo, porque eleições estaduais costumam ser muito influenciadas pela capacidade de costurar alianças regionais, acomodar lideranças locais e formar palanques sólidos nos maiores colégios eleitorais.
Se Wellington tenta transformar liderança nas pesquisas em impulso político, Pivetta aposta em outro caminho: o da continuidade administrativa com marca própria. Desde que assumiu o governo, ele passou a emitir sinais mais claros sobre seu estilo de gestão. Em declarações recentes, reforçou um discurso de maior rigidez com o gasto público e de foco em áreas consideradas essenciais, buscando transmitir uma imagem de firmeza fiscal e responsabilidade na alocação de recursos.
Ao mesmo tempo, Pivetta sabe que não basta representar a continuidade de Mauro Mendes. Para ser viável eleitoralmente, ele precisará demonstrar autonomia, ampliar a base de apoio e provar que consegue falar para além do núcleo governista. Por isso, sua movimentação em busca de alianças ganhou destaque. As conversas com diferentes forças políticas mostram que a estratégia passa por combinar o peso da administração estadual com uma frente partidária suficientemente ampla para enfrentar a polarização do processo eleitoral.
Hoje, o desafio do governador é duplo. Ele precisa preservar o apoio do grupo que assumiu o Estado em 2019 e, ao mesmo tempo, dialogar com setores que ainda não estão plenamente fechados com sua candidatura. Esse equilíbrio será um dos pontos mais observados nos próximos meses.
Embora a disputa tenha, por ora, dois polos mais nítidos em Wellington e Pivetta, o cenário está longe de ser fechado. Jayme Campos continua sendo um nome de peso na política mato-grossense e mantém capital eleitoral relevante. Ainda assim, notícias recentes indicam que sua pré-candidatura perdeu ritmo dentro do próprio ambiente partidário e pode ficar para definição mais adiante, no período das convenções. Isso não o retira do jogo, mas aumenta a sensação de indefinição no campo de centro-direita.
Natasha Slhessarenko, por sua vez, busca se firmar como opção de oposição com apoio do campo alinhado ao presidente Lula em Mato Grosso. Seu movimento tenta ocupar um espaço que historicamente enfrenta mais resistência no estado, mas que pode ganhar densidade caso consiga transformar discurso propositivo em palanque organizado. A médica procura se apresentar como nome com sensibilidade social, tom menos agressivo e foco em políticas públicas.
Já Marcelo Maluf entrou mais recentemente na disputa como pré-candidato do Novo. Sua chegada adiciona um componente de renovação liberal e reforça a leitura de que o tabuleiro ainda está em formação. Em ambientes assim, uma candidatura pode tanto seguir sozinha quanto servir como peça de negociação para futuras composições.
Pelas falas e movimentos mais recentes dos pré-candidatos, alguns assuntos já despontam como centrais para a eleição em Mato Grosso. Infraestrutura logística deve seguir no topo da agenda, especialmente por sua relação direta com o agronegócio, o transporte de cargas e a competitividade regional. Obras rodoviárias e integração de corredores produtivos tendem a aparecer com frequência no debate.
Outro eixo importante será a gestão fiscal e o uso do dinheiro público. Esse tema ganhou força com a tentativa de Pivetta de marcar posição sobre prioridades de gasto. Em paralelo, a oposição deve explorar a necessidade de ampliar resultados em áreas como saúde, educação, segurança e políticas sociais, procurando traduzir o debate administrativo em questões do cotidiano da população.
A relação entre Mato Grosso e o governo federal também deve ser usada eleitoralmente. Natasha já sinaliza um alinhamento mais direto com Lula, enquanto adversários tendem a disputar o eleitorado com discursos mais voltados ao conservadorismo, à autonomia estadual e à defesa de uma agenda mais próxima do setor produtivo. Esse contraste pode ajudar a organizar o debate, ainda que o estado costume responder mais fortemente a pautas locais do que a disputas puramente nacionais.
O cenário de abril indica uma eleição aberta, com tendência de forte peso das alianças, das convenções partidárias e da capacidade de cada grupo de transformar presença política em narrativa eleitoral competitiva. Até aqui, o eleitor mato-grossense assiste a uma disputa que combina continuidade, oposição, rearranjos partidários e pré-candidaturas em teste. Nos próximos meses, a grande pergunta deixará de ser apenas quem quer disputar e passará a ser quem conseguirá unir força política, discurso consistente e capacidade real de crescimento nas ruas.