Soja chega a R$ 141 por saca em Paranaguá, recupera as perdas de 2026 e encontra suporte na demanda internacional e no câmbio.
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Soja chega a R$ 141 por saca em Paranaguá, recupera as perdas de 2026 e encontra suporte na demanda internacional e no câmbio.
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O preço da soja voltou a ganhar força no mercado brasileiro e recuperou, na parcial de julho, toda a perda acumulada desde o início de 2026. O movimento foi liderado pelo Indicador Cepea/Esalq de Paranaguá, referência para negociações e exportações do grão.
Até 17 de julho, a soja em Paranaguá foi cotada a R$ 141 por saca de 60 quilos, mesmo valor registrado no encerramento de 2025. A média mensal chegou a R$ 139,10, o maior nível médio deste ano e acima dos R$ 136,90 observados em julho de 2025.
Na comparação com o fechamento de junho, o indicador acumulou alta de aproximadamente 4,8%, destacando-se entre as principais commodities agrícolas acompanhadas no período.
A recuperação ocorreu depois de um primeiro semestre marcado pela pressão do câmbio, pela elevada oferta brasileira e pela cautela dos compradores. Em janeiro, por exemplo, a queda do dólar chegou a neutralizar parte dos ganhos registrados na Bolsa de Chicago.
Apesar da melhora recente, os valores atuais ainda permanecem abaixo dos patamares nominais registrados entre 2021 e 2022. Além disso, o indicador de Paranaguá não representa necessariamente o preço recebido em todas as regiões produtoras.
Em Mato Grosso, as cotações tendem a ser menores devido à distância dos portos, aos custos logísticos e às condições locais de oferta e demanda. Em meados de julho, referências regionais mostravam preços próximos de R$ 112 por saca em áreas do estado.
O cenário internacional também apresenta sinais favoráveis. No relatório de julho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos elevou as projeções de exportação de soja dos Estados Unidos e do Brasil, apoiado por uma demanda global mais forte.
O órgão também aumentou as estimativas de importação e processamento da China. Os estoques mundiais da safra 2026/27 foram reduzidos para 124,2 milhões de toneladas, fator que pode oferecer sustentação às cotações, embora a produção global continue elevada.
A volatilidade do dólar, o desenvolvimento das lavouras norte-americanas e eventuais problemas climáticos continuarão influenciando os preços durante o segundo semestre.
A recuperação melhora as oportunidades de comercialização, mas não elimina a pressão sobre as margens. Fertilizantes, combustíveis, fretes e juros seguem elevados, e análises do setor indicam rentabilidade mais apertada para a safra 2026/27.
Em Mato Grosso, cerca de 23,3% da produção projetada para 2026/27 já estava comercializada em 17 de julho, segundo o Imea.
Diante desse cenário, a orientação é acompanhar diariamente o dólar, os contratos de Chicago, os prêmios nos portos e as cotações regionais. A venda escalonada pode ajudar a reduzir riscos e aproveitar momentos de valorização sem comprometer toda a produção em uma única negociação.