Compartilhe

Compartilhe

Cáceres

Pesquisadores da Unemat alertam contra redução da proteção de Taiamã

Nota técnica da Unemat alerta que projeto no Congresso ameaça a proteção de Taiamã e pode afetar pesca, biodiversidade e turismo no Pantanal.

Por

Vista aérea da planície alagável e do rio Paraguai na região de Taiamã. Imagem Gerada por IA

Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) divulgaram uma nota técnica em defesa da ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, localizada no Pantanal entre Cáceres e Poconé. O documento contesta o projeto em tramitação na Câmara dos Deputados que pretende suspender os novos limites da unidade de conservação.

O debate ocorre após a aprovação do regime de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo nº 171/2026. Com a medida, a proposta poderá ser votada diretamente pelo Plenário, sem análise prévia das comissões permanentes. Até o momento, não há data marcada para a votação.

Nota destaca importância para os peixes

Segundo os pesquisadores, a área protegida funciona como local de alimentação, abrigo, crescimento e reprodução de diversas espécies de peixes do rio Paraguai e da Bacia do Alto Paraguai.

O professor Claumir Cesar Muniz, pesquisador da Unemat, afirma que os processos ecológicos mantidos em Taiamã contribuem para a reposição natural dos estoques pesqueiros. Os benefícios alcançam pescadores artesanais, praticantes da pesca esportiva e atividades econômicas relacionadas ao turismo regional.

A professora Solange Ikeda-Castrillon também aponta que campos inundáveis, lagoas, corixos e baías preservados pela estação funcionam como reservatórios de biodiversidade, especialmente durante períodos de seca e perda de superfície alagada.

Unidade passou para 68,5 mil hectares

A Estação Ecológica de Taiamã foi criada em 1981 e possuía aproximadamente 11,5 mil hectares. O Decreto Federal nº 12.887, publicado em março de 2026, incorporou cerca de 57 mil hectares e elevou a área total para aproximadamente 68.502 hectares.

O ICMBio sustenta que a região ampliada possui vegetação natural preservada, ambientes inundáveis essenciais para a reprodução dos peixes e corredores utilizados por espécies ameaçadas. A unidade também integra uma região reconhecida internacionalmente pela relevância de suas áreas úmidas.

Projeto questiona consulta pública

Autora do PDL 171/2026, a deputada federal Coronel Fernanda argumenta que a ampliação ocorreu sem participação adequada de produtores rurais, pescadores e moradores. A parlamentar também menciona insegurança jurídica, possíveis desapropriações e impactos sobre atividades econômicas de Cáceres e Poconé.

Os pesquisadores, por outro lado, defendem que a manutenção dos novos limites fortalece a pesca, o turismo de natureza, a qualidade da água e a capacidade do Pantanal de enfrentar secas, incêndios e mudanças climáticas.

Com o regime de urgência aprovado, o próximo passo será a inclusão do projeto na pauta da Câmara. Caso seja aprovado pelos deputados, o texto ainda deverá ser analisado pelo Senado antes de produzir efeitos.

Tags:
Câmara Dos DeputadosEstação Ecológica de TaiamãMeio AmbientePantanalRio ParaguaiUnemat
Volta às aulas mobiliza redes municipal e estadual em Cáceres
Câmara de Cáceres revoga lei que reajustou salários de agentes políticos
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Conteúdo relacionado