Justiça rejeita suspensão das obras do Fort Atacadista em Cáceres; audiência na quinta-feira discutirá possível via pública na área do empreendimento.
Compartilhe
Justiça rejeita suspensão das obras do Fort Atacadista em Cáceres; audiência na quinta-feira discutirá possível via pública na área do empreendimento.
Por

A Justiça negou um pedido para suspender imediatamente as obras do Fort Atacadista em Cáceres, mas manteve aberta a discussão sobre uma possível área pública existente dentro do espaço ocupado pelo empreendimento. O próximo capítulo ocorrerá nesta quinta-feira (27), às 9h, em audiência pública no Fórum de Cáceres.
A decisão é da juíza Raíssa da Silva Santos Amaral, da 4ª Vara Cível de Cáceres – Fazenda Pública, dentro de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso. O ponto central do processo é a chamada “Rua C”, prevista na planta original do Loteamento Vila São José, mas que nunca teria sido efetivamente aberta como via pública.
O Fort está sendo construído às margens da Avenida São Luiz, trecho urbano da BR-070, em área onde o Grupo Pereira anunciou, ainda em 2024, investimento superior a R$ 60 milhões e previsão de geração de mais de 300 empregos diretos.
A controvérsia surgiu durante investigação do Ministério Público iniciada a partir de uma denúncia. Ao examinar documentos do loteamento, o órgão identificou a previsão da Rua C na planta original e levou ao Judiciário a discussão sobre sua situação jurídica e eventual destinação pública.
Além do debate coletivo sobre a via, um proprietário de imóvel vizinho pediu a paralisação das obras, alegando que a construção teria avançado tanto sobre o espaço projetado para a rua quanto sobre áreas particulares.
Ao rejeitar o embargo, a magistrada entendeu que os questionamentos envolvendo limites entre propriedades, posse e eventuais invasões de imóveis particulares devem ser discutidos em ações próprias.
A decisão também considerou que, neste momento, não estavam presentes os requisitos necessários para uma medida urgente de paralisação. Isso significa que a Justiça não declarou que a Rua C deixou de existir nem reconheceu definitivamente que toda a área pertence aos particulares. Apenas decidiu não interromper a construção antes da produção de mais provas e do debate entre os envolvidos.
A questão chegou também à Câmara Municipal. Em julho, foi apresentado projeto para desafetar a área projetada como Rua C e transformá-la em bem dominical do Município, abrindo caminho para regularização fundiária e registral. A proposta, entretanto, acabou arquivada após manifestação da Comissão de Constituição e Justiça pela inconstitucionalidade e ilegalidade.
A Audiência Pública de Conciliação e Saneamento Cooperativo será realizada às 9h de quinta-feira, no Plenário do Fórum de Cáceres.
Devem participar Ministério Público, Município, proprietários e demais interessados. Entre os pontos que a Justiça pretende esclarecer estão um parecer municipal de 2023 que considerou a área como não pública, a situação do processo de Regularização Fundiária Urbana REURB nº 22.842/2024 e possíveis alternativas de engenharia e urbanismo.
Também deverá ser avaliado o impacto que uma eventual abertura da Rua C teria sobre moradores, imóveis consolidados e o próprio empreendimento.
A audiência não significa que haverá necessariamente uma decisão definitiva na quinta-feira. O objetivo inicial é buscar um acordo. Sem consenso, as informações coletadas deverão orientar a continuidade da Ação Civil Pública.
Assim, o cenário atual é de continuidade das obras do Fort Atacadista, mas sem encerramento da controvérsia urbanística. O destino da área projetada décadas atrás como Rua C permanece sob análise judicial.