Primeiro debate televisionado ao governo de Mato Grosso reúne seis candidatos e tem confrontos sobre gestão, corrupção, saúde, segurança e trajetória política.
Compartilhe
Primeiro debate televisionado ao governo de Mato Grosso reúne seis candidatos e tem confrontos sobre gestão, corrupção, saúde, segurança e trajetória política.
Por

O primeiro debate televisionado entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso colocou frente a frente, nesta terça-feira (1º), os seis nomes que disputam o Palácio Paiaguás. Promovido pela TV Vila Real, o encontro teve momentos de apresentação de propostas, mas ficou marcado principalmente pelas cobranças entre adversários e por discussões sobre gestão pública, corrupção, segurança e trajetória política.
Participaram Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos), Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Milas (Missão), Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza).
Wellington e Pivetta protagonizaram alguns dos embates de maior repercussão. Os dois trocaram acusações relacionadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e cobraram explicações um do outro sobre personagens e episódios ligados às respectivas trajetórias políticas.
Wellington também direcionou perguntas ao atual governador sobre a administração estadual e buscou colocar em discussão temas ligados aos servidores públicos e à condução do governo.
Pivetta, por sua vez, questionou a atuação política de Wellington em Brasília e rebateu as críticas feitas pelo adversário.
O embate ficou mais duro quando os dois candidatos passaram a recuperar episódios do passado político e administrativo um do outro.
Pivetta atacou a relação histórica de Wellington com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Mato Grosso e afirmou que o senador teve influência sobre indicações no órgão durante diferentes governos federais. Wellington reagiu trazendo para a discussão Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do DNIT, e questionando sua proximidade com a campanha de Pivetta.
A troca avançou para acusações de corrupção e moralidade na vida pública. Pivetta classificou Wellington como representante da “velha política” e fez críticas à permanência do senador por décadas em cargos eletivos. Wellington respondeu afirmando que não possui condenação criminal e buscou devolver ao adversário as cobranças sobre episódios envolvendo seus aliados políticos.
Outro tema recuperado por Wellington foi o chamado caso CooperLucas, escândalo envolvendo desvios e irregularidades em estoques de grãos da cooperativa de Lucas do Rio Verde no início dos anos 2000. O nome de Pivetta apareceu em investigações relacionadas ao episódio, mas ele acabou absolvido no processo citado durante o debate.
Wellington também cobrou que Pivetta abrisse seu sigilo bancário para responder a questionamentos levantados durante a pré-campanha. O governador afirmou ter a consciência tranquila e respondeu aumentando o tom das críticas ao senador.
A sequência transformou o confronto entre os dois em um dos momentos mais tensos do debate, deslocando a discussão das propostas de governo para o histórico político e administrativo dos principais candidatos.
Ao todo, foram feitas 30 perguntas durante o confronto. Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta e Sargento Laudicério receberam seis questionamentos cada, aparecendo como os candidatos mais acionados pelos adversários.
Natasha Slhessarenko e Rafaell Milas responderam a cinco perguntas cada. Maurício Coelho foi questionado duas vezes.
A dinâmica colocou principalmente Wellington e Pivetta, que aparecem entre os principais nomes da disputa estadual, sob exposição constante ao longo do programa.
Outros temas também ganharam espaço. Pivetta foi questionado sobre políticas públicas de proteção às mulheres. Natasha abordou questões relacionadas à trajetória e ao patrimônio de Wellington. Segurança pública, atuação das facções criminosas, servidores e emendas parlamentares também foram discutidos.
O encontro acabou reservando menos espaço para a apresentação detalhada dos planos de governo do que para o confronto direto entre os candidatos.
Um dos momentos de maior emoção ocorreu quando Sargento Laudicério relatou problemas enfrentados por sua família na área da saúde. Também houve pedidos de direito de resposta e acusações envolvendo o histórico político dos participantes.
A intensidade dos embates sinaliza que o confronto direto deverá assumir papel importante na campanha até outubro, principalmente à medida que pesquisas, propaganda eleitoral e novos debates aumentarem a exposição dos candidatos.
A TV Vila Real prevê outro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso para 1º de outubro, poucos dias antes do primeiro turno.
Até lá, a tendência é que as campanhas tentem transformar os episódios desta primeira confrontação em argumentos eleitorais, ao mesmo tempo em que precisarão ampliar a exposição de propostas para áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico.