Motorista morre após acidente entre carretas na BR-070, em Cáceres. Tragédia reacende preocupação com a segurança na Serra do Mangaval.
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Motorista morre após acidente entre carretas na BR-070, em Cáceres. Tragédia reacende preocupação com a segurança na Serra do Mangaval.
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Um novo acidente fatal na BR-070 voltou a chamar atenção para a segurança no trecho da Serra do Mangaval, uma das principais ligações rodoviárias entre Cáceres e Cuiabá e corredor estratégico para o transporte de cargas no Oeste de Mato Grosso.
Ailto da Silva Araújo, de 40 anos, morreu na tarde de quarta-feira (19) depois de um acidente envolvendo duas carretas. O veículo conduzido por ele saiu da pista, caiu em uma ribanceira e pegou fogo nas proximidades do início da serra. A carreta transportava carne.
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, os dois veículos trafegavam em sentidos contrários. Uma carreta seguia no sentido Cuiabá–Cáceres, enquanto Ailto conduzia seu veículo em direção à capital.
Após o acidente, a carreta dirigida pela vítima deixou a pista e caiu na ribanceira, onde foi tomada pelas chamas. As circunstâncias que provocaram a ocorrência deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação e pela perícia.
Até que essa apuração seja concluída, não é possível atribuir o acidente às condições da rodovia, à velocidade, a eventual falha mecânica ou a qualquer outro fator.
A tragédia se soma a outros acidentes registrados na região nos últimos meses.
Em janeiro deste ano, duas pessoas morreram após uma colisão entre um automóvel e um caminhão na BR-070, também nas proximidades da Serra do Mangaval. As vítimas ficaram presas às ferragens.
No fim de fevereiro, outra carreta saiu da rodovia na serra. Um homem de 41 anos e uma mulher de 37 ficaram feridos e precisaram ser encaminhados ao Hospital Regional de Cáceres.
Já no início de agosto, uma carreta carregada com milho pegou fogo no km 698, antes da serra, após um problema mecânico relatado pelo motorista. Nesse episódio, o condutor conseguiu sair do veículo e não ficou ferido.
O histórico de preocupação com o trecho é ainda mais antigo. Em 2016, o Ministério Público Federal chegou a recomendar providências ao DNIT relacionadas à fiscalização eletrônica de velocidade na Serra do Mangaval. Documentos do MPF apontavam registros de acidentes fatais ou graves e defendiam medidas para preservar o funcionamento dos equipamentos de controle de velocidade.
A BR-070 tem papel fundamental para Cáceres, tanto na ligação com Cuiabá quanto no escoamento da produção e na integração da fronteira brasileira com a Bolívia. O próprio DNIT classifica o trecho entre Cuiabá e Cáceres, com cerca de 220 quilômetros, como um corredor relevante para a região e ainda predominantemente de pista simples.
Estudos de engenharia do departamento já incluíram entre as intervenções previstas para a rodovia uma variante da Serra do Mangaval, além da implantação de faixas adicionais, faixas de ultrapassagem, adequações de acostamentos e outros melhoramentos ao longo da BR-070. Documentação administrativa do DNIT também registra projeto de adequação de capacidade especificamente para a variante da serra.
A sucessão de ocorrências reforça a discussão sobre investimentos capazes de aumentar a segurança no corredor Cáceres–Cuiabá. Isso, porém, deve ser tratado separadamente da investigação sobre a morte de Ailto da Silva Araújo: a causa do acidente de quarta-feira ainda precisa ser tecnicamente estabelecida.