Confrontos entre Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes dominaram a repercussão, enquanto Natasha Slhessarenko buscou se apresentar como alternativa; saúde, infraestrutura e violência contra a mulher também ganharam espaço
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Confrontos entre Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes dominaram a repercussão, enquanto Natasha Slhessarenko buscou se apresentar como alternativa; saúde, infraestrutura e violência contra a mulher também ganharam espaço
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O primeiro grande debate da eleição para o Governo de Mato Grosso colocou a campanha em uma nova fase. Realizado na terça-feira (18) pela Centro América FM e pelo portal Primeira Página, o encontro reuniu Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Dra. Natasha Slhessarenko (PSD) e combinou apresentação de propostas com alguns dos confrontos mais duros registrados até agora na disputa pelo Palácio Paiaguás.
Os três participaram porque seus partidos atendem ao critério de representação mínima no Congresso Nacional adotado pelos organizadores. Realizado no auditório da TV Centro América, em Cuiabá, o debate teve duração de aproximadamente uma hora e meia, com perguntas entre os próprios candidatos, rodadas de temas determinados e tema livre.
A repercussão nos principais veículos políticos do Estado concentrou-se sobretudo nos embates entre Pivetta e Wellington, mas o encontro também deu a Natasha a oportunidade de reforçar a estratégia de se apresentar como uma opção fora do confronto entre os dois adversários.
Infraestrutura foi um dos assuntos que mais produziram divergências.
Natasha questionou Pivetta sobre custos e qualidade das rodovias executadas pelo Estado. O governador defendeu o volume de investimentos realizado nos últimos anos e afirmou que a atual administração construiu aproximadamente 7 mil quilômetros de novas estradas, reconhecendo problemas pontuais em alguns trechos.
O debate ficou mais tenso quando Pivetta e Wellington passaram a discutir rodovias federais, DNIT, contratos e atuação política na obtenção de recursos para Mato Grosso.
Pivetta fez ataques à trajetória de Wellington e associou pessoas de seu entorno político à administração do ex-governador Silval Barbosa. Wellington exigiu provas e reagiu acusando a atual gestão de privilegiar uma “panelinha” na execução de obras. As declarações foram reproduzidas por diferentes veículos estaduais e devem ser compreendidas como acusações feitas no contexto da disputa eleitoral, e não como fatos comprovados pelo debate.
A troca de acusações continuou depois do programa. Pivetta afirmou à imprensa que ainda pretende apresentar informações sobre emendas parlamentares do senador, enquanto Wellington contestou as críticas e defendeu seu histórico de obtenção de recursos para o Estado.
Apesar de os ataques políticos terem rendido as manchetes mais fortes, uma análise do conteúdo feita pelo Primeira Página revela outro aspecto importante do debate.
Depois da expressão “Mato Grosso”, mencionada 63 vezes, “mulher” e “mulheres” apareceram 55 vezes, tornando-se o tema nominal de maior recorrência. A discussão envolveu feminicídio, violência doméstica, autonomia econômica e ampliação da rede de proteção.
Os programas dos candidatos apresentam propostas diferentes nessa área. Entre elas aparecem ampliação das estruturas especializadas de atendimento, uso de tecnologia e botão do pânico, auxílio-moradia, geração de emprego para vítimas, Salas Lilás e criação de uma Secretaria da Mulher com orçamento próprio.
Saúde também ocupou espaço importante. As discussões passaram por atendimento especializado no interior, hospitais regionais, filas por consultas e exames, saúde mental e descentralização dos serviços.
Natasha procurou explorar sua experiência profissional como médica e apresentou propostas ligadas à saúde, primeira infância e assistência social. Pivetta usou os investimentos e estruturas implantadas ou em construção pelo atual governo como argumento de continuidade. Wellington defendeu ampliação e regionalização dos serviços.
Enquanto Pivetta e Wellington protagonizaram os embates de maior repercussão, Natasha adotou uma estratégia diferente: questionou os dois adversários e procurou enfatizar que ambos já estiveram, em momentos anteriores, próximos politicamente.
A leitura apareceu também na cobertura da CBN Cuiabá, que apontou a tentativa da candidata de se apresentar como uma alternativa à disputa mais direta entre o governador e o senador.
A estratégia é relevante porque o debate não serviu apenas para apresentar propostas. Ele começou a estabelecer as posições que cada candidatura pretende ocupar na campanha.
Pivetta busca associar sua candidatura à continuidade de uma administração que considera bem-sucedida e aos investimentos realizados pelo Estado. Wellington tenta confrontar esse legado e apresentar experiência parlamentar e capacidade de articulação como alternativa. Natasha procura questionar ambos e construir uma candidatura com identidade própria.
Outros assuntos importantes tiveram espaço menor na repercussão, mas devem voltar nos próximos debates.
Garimpo e mineração, industrialização, agricultura familiar, qualificação profissional, reforma tributária, mudanças climáticas, educação e pobreza estiveram entre os temas discutidos.
Na economia, houve propostas relacionadas à agregação de valor à produção mato-grossense e ampliação da industrialização. Na saúde, ganhou destaque a necessidade de reduzir a concentração dos atendimentos especializados na Baixada Cuiabana e fortalecer estruturas no interior.
Embora declarações dadas depois do encontro tenham sinalizado interesse dos candidatos em falar mais sobre propostas, o próprio pós-debate mostrou que os confrontos dificilmente desaparecerão.
Pivetta afirmou que pretende responder às críticas principalmente com ações de governo, mas também prometeu apresentar novos questionamentos sobre Wellington durante a campanha.
Além disso, o debate evidenciou uma situação peculiar na disputa ideológica estadual: Pivetta confirmou apoio de seu grupo à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), embora o presidenciável do PL esteja no mesmo partido de Wellington, adversário de Pivetta na corrida pelo governo estadual.
Do primeiro confronto, portanto, não saiu apenas uma coleção de frases de efeito. O encontro começou a delimitar os principais campos da campanha: infraestrutura e qualidade das obras, saúde, proteção às mulheres, integridade na administração pública, desenvolvimento econômico e o embate entre continuidade e mudança.
Mais do que apontar um vencedor — avaliação inevitavelmente subjetiva —, o primeiro debate mostrou ao eleitor onde estão as principais diferenças, os pontos de atrito e as estratégias dos três candidatos que estiveram frente a frente. E indicou que a campanha pelo Governo de Mato Grosso tende a ganhar temperatura à medida que novos debates coloquem essas posições novamente em confronto.