Em entrevista à TV Descalvados, Antero Paes de Barros analisa as eleições em Mato Grosso, destaca Cáceres e apresenta propostas para voltar à Câmara Federal.
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Em entrevista à TV Descalvados, Antero Paes de Barros analisa as eleições em Mato Grosso, destaca Cáceres e apresenta propostas para voltar à Câmara Federal.
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O ex-senador Antero Paes de Barros, candidato a deputado federal pelo PV, defendeu uma ampla renovação da representação política de Mato Grosso e apresentou propostas voltadas às mulheres, servidores públicos, sistema penitenciário e pessoas com neurodivergência durante entrevista concedida à TV Descalvados, no quadro Eleições 2026.
Jornalista, radialista e advogado, Antero já foi vereador de Cuiabá, deputado federal constituinte e senador da República. Depois de anos sem disputar eleições, decidiu retornar às urnas. Em março deste ano, filiou-se ao PV para concorrer à Câmara dos Deputados pela Federação Brasil da Esperança.
Ao explicar a volta, afirmou que permaneceu acompanhando a vida pública mesmo fora das campanhas e que pretende atuar em defesa da democracia, da soberania nacional e de políticas capazes de impulsionar o desenvolvimento de Cáceres e da região Oeste de Mato Grosso.
Antero vê Fávaro forte na disputa pelo Senado
Um dos pontos centrais da entrevista foi a análise das duas vagas de Mato Grosso para o Senado. Para Antero, Carlos Fávaro chega à eleição com uma situação política mais forte do que os números das pesquisas poderiam indicar.
O ex-senador destacou a atuação de Fávaro na abertura de mercados internacionais para produtos brasileiros, no apoio ao agronegócio e à agricultura familiar e na obtenção de recursos para os municípios. O Ministério da Agricultura informa que, durante a gestão de Fávaro, o Brasil superou a marca de 550 novos mercados abertos para produtos agropecuários.
Cáceres recebeu atenção especial na avaliação de Antero. Ele atribuiu ao senador investimentos expressivos na saúde e ações de saneamento e infraestrutura.
Para a segunda vaga no Senado, Antero considera aberta a disputa e citou nomes como Janaína Riva, Pedro Taques, Mauro Mendes e José Medeiros.
Polarização deve pesar na eleição para governador
Na corrida pelo Governo de Mato Grosso, Antero aposta em uma eleição mais equilibrada e vê possibilidade concreta de segundo turno.
Sua avaliação é que a polarização nacional poderá influenciar diretamente o comportamento do eleitor mato-grossense. Nesse cenário, apontou Natasha Slhessarenko e Wellington Fagundes entre os nomes com condições de avançar para a etapa decisiva.
Antero considera que o governador Otaviano Pivetta poderá enfrentar dificuldades justamente por não ocupar de maneira tão clara um dos polos nacionais. Ele comparou a situação ao que ocorreu com Eduardo Botelho na eleição municipal de Cuiabá, quando o então favorito não conseguiu chegar ao segundo turno.
Trata-se de uma leitura política do entrevistado, e não de uma projeção baseada exclusivamente nas pesquisas disponíveis.
Crítica à bancada federal e defesa de forte renovação
Antero foi especialmente duro ao avaliar a atual bancada de Mato Grosso na Câmara Federal. Disse considerar necessária uma renovação superior a 50% e criticou parlamentares que, segundo ele, concentraram a atuação em emendas e deixaram em segundo plano grandes projetos nacionais.
Como exemplo, citou a PEC 3/2021, conhecida por críticos como “PEC da Blindagem” ou “PEC da Impunidade”. O texto previa, entre outras mudanças, autorização do Congresso para a abertura de processos criminais contra deputados e senadores.
A proposta foi aprovada pela Câmara em setembro de 2025, mas posteriormente rejeitada por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e arquivada definitivamente.
Neurodivergência e moradia assistida estão entre prioridades
Na parte final da entrevista, Antero apresentou os projetos que pretende levar à Câmara caso seja eleito.
Entre eles, propôs regras mais severas contra agressores de mulheres, incluindo consequências patrimoniais e eleitorais; restrições à candidatura de governantes que deixarem de pagar a Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores; e a proibição da construção de novos presídios em áreas urbanas, defendendo unidades rurais onde os detentos possam trabalhar e produzir.
A proposta que classificou como seu “projeto do coração” envolve pessoas com neurodivergência permanente.
Antero defende a criação de um sistema que assegure renda permanente e moradia assistida para pessoas que necessitem de apoio contínuo, principalmente depois da morte dos pais ou responsáveis.
Segundo ele, a proposta nasceu do contato com mães preocupadas com o futuro dos filhos adultos que não possuem autonomia para viver sozinhos.
O ex-senador também lembrou sua atuação histórica na educação. Em 1999, foi autor do PLS 298/1999, que previa reserva de vagas em universidades públicas para estudantes provenientes da rede pública. A proposta foi aprovada no Senado e enviada à Câmara, onde acabou arquivada em 2006.
Ao justificar a candidatura, Antero resumiu a volta à política como uma tentativa de combinar sua experiência parlamentar com novas bandeiras sociais e, sobretudo, recuperar uma representação federal que, em sua avaliação, precisa voltar a discutir projetos estruturantes para Mato Grosso e municípios como Cáceres.