Cesta básica compromete 52% do salário mínimo líquido nas capitais. Cuiabá tem o segundo maior custo do país, chegando a R$ 937,93.
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Cesta básica compromete 52% do salário mínimo líquido nas capitais. Cuiabá tem o segundo maior custo do país, chegando a R$ 937,93.
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A compra dos alimentos essenciais continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Em junho de 2026, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometeu, em média, 52,02% do rendimento líquido somente para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas.
O levantamento nacional é realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em junho, o custo da cesta aumentou em 17 capitais e diminuiu em outras dez.
São Paulo permaneceu no topo da pesquisa, com a cesta básica custando R$ 965,47. Cuiabá apareceu logo depois, com valor de R$ 937,93, seguida pelo Rio de Janeiro, com R$ 920,94, e por Florianópolis, onde o conjunto de alimentos chegou a R$ 918,42.
O resultado de Mato Grosso chama atenção também pela evolução anual. Entre junho de 2025 e junho de 2026, a cesta de Cuiabá acumulou alta de 14,71%, a maior entre todas as capitais pesquisadas. Em São Paulo, o aumento foi de 9,37%.
Na outra ponta, Aracaju apresentou a cesta mais barata, por R$ 630,40. São Luís foi a única capital com variação negativa em 12 meses, embora a redução tenha sido pequena, de 0,09%.
Considerando o salário mínimo de R$ 1.621, vigente em 2026, o brasileiro precisou trabalhar, em média, 105 horas e 51 minutos para pagar a cesta. O cálculo considera a jornada mensal adotada pelo Dieese e mostra quanto do tempo de trabalho é destinado exclusivamente à alimentação básica.
Em São Paulo, foram necessárias 131 horas e dois minutos. O gasto correspondeu a 64,39% do salário mínimo líquido. Em Cuiabá, a cesta comprometeu 62,55% da renda líquida e exigiu 127 horas e 17 minutos de trabalho.
Embora o grupo Alimentação e Bebidas tenha recuado 0,24% em junho, acumulava alta de 3,82% nos 12 meses, segundo o IPCA. O índice geral de inflação chegou a 4,64% no mesmo período.
O Dieese estimou que, para atender às despesas essenciais de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ter alcançado R$ 8.110,92 em junho — exatamente cinco vezes o piso nacional.
O valor também supera com folga o rendimento médio real dos trabalhadores, calculado pelo IBGE em R$ 3.726 no trimestre encerrado em maio.
Diante desse cenário, pesquisar preços entre supermercados, planejar refeições, evitar desperdícios e substituir temporariamente produtos que tiveram altas acentuadas são medidas que podem aliviar parte da pressão sobre o orçamento doméstico.