El Niño deve intensificar calor e irregularidade das chuvas, elevando os riscos para soja, milho, pastagens e recursos hídricos no Centro-Oeste.
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El Niño deve intensificar calor e irregularidade das chuvas, elevando os riscos para soja, milho, pastagens e recursos hídricos no Centro-Oeste.
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O fortalecimento do El Niño aumenta a preocupação do agronegócio brasileiro com a preparação da safra 2026/2027. O fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e deve ganhar intensidade nos próximos meses, alterando o regime de chuvas e elevando as temperaturas em importantes regiões agrícolas.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, há 97% de probabilidade de o El Niño persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte. O órgão também estima possibilidade elevada de o episódio atingir intensidade muito forte no fim de 2026.
O impacto merece atenção especial no Centro-Oeste, região responsável por 51,6% da produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas registrada em 2025. Mato Grosso permanece como o maior produtor nacional de grãos e lidera culturas estratégicas, como soja, milho segunda safra e algodão.
A atual temporada ainda apresenta números positivos. O levantamento de julho da Companhia Nacional de Abastecimento estima produção nacional de 360,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026, volume 2,2% superior ao ciclo anterior. O principal risco climático, portanto, concentra-se na implantação e no desenvolvimento da próxima safra.
No Centro-Oeste, o período seco pode inicialmente favorecer a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar. Entretanto, temperaturas mais altas e chuvas abaixo da média tendem a reduzir a umidade do solo, prejudicar pastagens, diminuir a disponibilidade de água para o gado e dificultar a preparação das áreas para o próximo plantio.
Para soja e milho, o maior risco está no atraso ou na irregularidade das primeiras chuvas da primavera. A semeadura feita com pouca umidade pode resultar em germinação desigual, necessidade de replantio e encurtamento da janela disponível para o milho segunda safra.
O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que o El Niño costuma favorecer estiagens e veranicos na porção norte do Centro-Oeste, justamente durante a implantação e o desenvolvimento inicial das lavouras de verão. O calor intenso também eleva a evaporação e aumenta o risco de incêndios rurais.
A Embrapa recomenda que a gestão do risco climático seja permanente, sem depender apenas da classificação do El Niño. Entre as medidas importantes estão respeitar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, escalonar a semeadura, utilizar cultivares adaptadas, conservar a cobertura do solo e acompanhar previsões meteorológicas de curto e médio prazo.
Também é necessário revisar reservatórios, bebedouros, sistemas de irrigação e estruturas de prevenção a incêndios. Como os efeitos do fenômeno não ocorrem de forma idêntica em todos os municípios, decisões de plantio devem considerar as condições locais de solo e umidade.
O El Niño não significa perda inevitável de safra, mas eleva a necessidade de planejamento. No principal cinturão produtor do país, pequenas diferenças no início das chuvas podem afetar produtividade, custos e oferta de alimentos em todo o Brasil.