Fazenda Barranco Vermelho, Dolina Água Milagrosa e Pantanal reforçam o potencial de Cáceres para turismo sustentável, histórico, ecológico e de experiência.
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Fazenda Barranco Vermelho, Dolina Água Milagrosa e Pantanal reforçam o potencial de Cáceres para turismo sustentável, histórico, ecológico e de experiência.
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As paisagens do Pantanal, a riqueza arqueológica, o patrimônio histórico e atrativos naturais pouco comuns no país colocam Cáceres e o Oeste de Mato Grosso diante de uma oportunidade que vai muito além da tradicional pesca esportiva. A região reúne condições para desenvolver diferentes vertentes do turismo de forma integrada, transformando patrimônio e biodiversidade em geração de renda sem abrir mão da conservação.
Essa é uma das principais ideias defendidas pela consultora em Políticas, Planejamento e Gestão de Turismo Rosangela Cabral Rosa Lazarin, em análise divulgada pela Prefeitura de Cáceres no último dia 7 de agosto. Segundo ela, municípios do Oeste mato-grossense podem estruturar uma atividade turística baseada em preservação ambiental, valorização cultural e participação das comunidades.
Cáceres tem na pesca esportiva uma de suas marcas mais conhecidas, reforçada historicamente pelo Festival Internacional de Pesca Esportiva. Mas o próprio conjunto de atrativos do município revela possibilidades muito mais amplas.
Rosangela aponta segmentos como ecoturismo, turismo cultural, observação de fauna, passeios fluviais, gastronomia regional e turismo de experiência. A proposta é fazer com que essas atividades funcionem de maneira complementar, criando motivos para que o visitante permaneça mais tempo na região e consuma serviços de hotéis, pousadas, restaurantes, transporte, guias, artesãos e produtores locais.
A Prefeitura de Cáceres também trabalha oficialmente com uma política voltada ao turismo ecológico, à preservação do patrimônio histórico e ao desenvolvimento sustentável, enquanto o município voltou a integrar o Mapa do Turismo Brasileiro em 2025.
Na avaliação da consultora, entretanto, possuir atrativos não é suficiente. É necessário transformar esses recursos em produtos turísticos estruturados, com infraestrutura, qualificação profissional, acessibilidade, conectividade, promoção adequada e participação conjunta do poder público, iniciativa privada e comunidades.

Um exemplo emblemático dessa diversidade é a Fazenda Barranco Vermelho, localizada às margens do Rio Paraguai, na zona rural de Cáceres.
O local guarda vestígios arqueológicos relacionados às antigas ocupações indígenas do Pantanal. Pesquisas acadêmicas identificam Barranco Vermelho como um dos sítios arqueológicos históricos da região de Cáceres e registram escavações realizadas ainda na primeira metade do século XX, incluindo áreas funerárias com sepultamentos em urnas e materiais cerâmicos.
Estudos sobre a arqueologia pantaneira relacionam a região a diferentes tradições ceramistas, entre elas as classificadas como Descalvado e Pantanal, evidenciando uma ocupação indígena muito anterior à formação da atual cidade de Cáceres.
Mas Barranco Vermelho também conserva outra camada da história regional. Entre as décadas de 1940 e 1970, a propriedade sediou a Cooperativa Pastoril Barranco Vermelho Ltda., ligada principalmente à produção de charque. O Rio Paraguai era parte fundamental da logística econômica da época, conectando estabelecimentos rurais e industriais da região a Corumbá e outros centros.
Hoje, a propriedade está associada à hospedagem e à pesca esportiva, criando uma combinação singular de patrimônio histórico, paisagem pantaneira e turismo de experiência.

Se Barranco Vermelho representa a união entre arqueologia, memória econômica e Pantanal, a Dolina Água Milagrosa demonstra o potencial do município para o turismo de natureza e aventura.
Localizada na região de Cáceres, a dolina é formada por uma grande depressão rochosa preenchida por água de forte tonalidade azul ou verde, dependendo das condições naturais e da época do ano. A Prefeitura a apresenta oficialmente entre os atrativos turísticos do município e destaca suas águas cristalinas e o potencial para mergulho.
O local fica em propriedade privada e a visitação é controlada, condição importante para conciliar turismo e conservação de um ambiente natural sensível. A própria existência de atrativos desse tipo amplia o perfil de Cáceres para além do turismo fluvial, aproximando o município dos segmentos de aventura, contemplação e experiências ligadas à geodiversidade.

Todo esse conjunto encontra no Pantanal mato-grossense seu principal elemento de conexão.
O Rio Paraguai, as baías, áreas alagáveis, matas e campos formam habitats para uma fauna extremamente diversa e oferecem possibilidades de observação de aves, mamíferos e répteis, passeios de barco, fotografia de natureza, pesca esportiva e experiências ligadas ao modo de vida pantaneiro.
Em sua participação na FIT Pantanal 2026, Cáceres voltou a apresentar justamente essa combinação de natureza, cultura, tradições e identidade pantaneira como diferencial turístico.
É neste ponto que os argumentos de Rosangela Lazarin ganham dimensão regional: o turismo sustentável pode funcionar como cadeia econômica quando patrimônio natural, história, cultura e comunidades deixam de ser atrações isoladas e passam a integrar roteiros organizados.
Para Cáceres, Barranco Vermelho, Água Milagrosa, o Rio Paraguai, o Centro Histórico e as paisagens pantaneiras mostram que a matéria-prima já existe. O desafio é preservá-la, qualificá-la e conectá-la.