Otaviano Pivetta aposta na continuidade da gestão, promete avanços em saúde, educação e infraestrutura, mas enfrenta o desgaste político da Operação Heritage.
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Otaviano Pivetta aposta na continuidade da gestão, promete avanços em saúde, educação e infraestrutura, mas enfrenta o desgaste político da Operação Heritage.
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Candidato à reeleição ao Governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) apresenta ao eleitor um programa fortemente associado à continuidade da administração estadual iniciada em 2019. Depois de dois mandatos como vice-governador, Pivetta assumiu o Palácio Paiaguás em março deste ano, com a saída de Mauro Mendes para disputar o Senado.
Entre as metas que vêm ganhando espaço em seus discursos estão eliminar as filas na saúde, melhorar o desempenho da educação pública e ampliar os investimentos urbanos nos municípios.
Seu plano de governo prevê unificação da fila de regulação pelo Regula MT, prontuário único estadual, oito Centros Regionais de Diagnóstico e ampliação da rede hospitalar regional. Também estabelece a intenção de alcançar cobertura integral do atendimento pré-hospitalar móvel até 2028.
Na educação, Pivetta tem defendido a ampliação do ensino profissionalizante e colocou como objetivo político levar Mato Grosso às primeiras posições nacionais nos indicadores educacionais.
O plano registrado para a eleição inclui expansão da educação profissional em parceria com o Sistema S, continuidade das escolas militares e cívico-militares e realização de concurso público para a rede estadual.
Outra bandeira apresentada pelo governador é uma ampla reforma urbana nos municípios. Em agenda em Várzea Grande, Pivetta afirmou que pretende utilizar como referência experiências de urbanização desenvolvidas em Lucas do Rio Verde, com investimentos em infraestrutura, habitação, espaços públicos, saúde e educação.
Na habitação, seu programa estabelece como objetivo a construção de mais 60 mil moradias populares dentro do SER Família Habitação.
Na infraestrutura, Pivetta mantém como uma de suas prioridades a melhoria dos principais corredores rodoviários e a continuidade das grandes obras iniciadas pela atual administração.
Em 25 de agosto, voltou a defender a duplicação da MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, além da construção do túnel na região do Portão do Inferno. O governador atribuiu a demora do projeto à necessidade de obtenção de licenças federais.
Seu programa também prevê continuidade da duplicação da BR-163, expansão da ferrovia estadual, fortalecimento da industrialização e manutenção dos incentivos fiscais condicionados à geração de empregos.
A estratégia eleitoral fica clara: Pivetta procura apresentar os resultados do governo do qual participou desde 2019 como argumento para pedir mais quatro anos, prometendo ampliar a regionalização da saúde, investimentos municipais e infraestrutura.
Essa defesa da continuidade, porém, também vincula Pivetta aos problemas enfrentados pelo grupo político que governa Mato Grosso.
O principal deles é a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto. A investigação apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada envolvendo um acordo de aproximadamente R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão.
A operação atingiu figuras importantes do grupo político da atual administração, entre elas o ex-governador Mauro Mendes e Fábio Garcia, que chegou a integrar a chapa de Pivetta. O episódio provocou desgaste justamente no início da campanha. Pivetta saiu publicamente em defesa dos aliados e afirmou confiar na inocência deles.
Posteriormente, reportagem do Metrópoles apontou que dois sócios de Pivetta em uma usina fizeram aportes de R$ 37 milhões na empresa e possuem vínculos citados na investigação da Heritage. A publicação também relacionou a companhia a fundos examinados pela PF. Pivetta contestou qualquer ligação ilícita e negou que a empresa tenha sido beneficiada pelo esquema investigado.
Até o material oficial consultado para esta matéria, não há fundamento para afirmar que Pivetta tenha sido condenado ou que seja pessoalmente acusado pela PF dos crimes investigados. Politicamente, entretanto, a Heritage representa um dos principais pontos de pressão sobre uma candidatura que se apresenta justamente como continuidade do atual grupo no poder.