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Cáceres

Rio Paraguai entra no fim de agosto abaixo do normal em Cáceres

Rio Paraguai registra 85 cm em Cáceres, abaixo da faixa normal para agosto. Queda acende atenção para navegação, pesca, turismo e período de seca.

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Rio Paraguai registrou 85 centímetros em Cáceres em 19 de agosto e entrou abaixo da faixa considerada normal para o período. Imagem Arquivo/Wiki

O Rio Paraguai chega à reta final de agosto em situação de atenção em Cáceres. A estação de monitoramento do município registrou 85 centímetros no dia 19, nível abaixo da faixa considerada normal para esta época do ano e também inferior ao observado na mesma data de 2025.

Os dados fazem parte do 33º Boletim Semanal de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai, do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O órgão informa que os níveis estão abaixo da mediana histórica em todo o trecho monitorado entre Barra do Bugres, em Mato Grosso, e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. Em Cáceres, porém, a situação é mais significativa porque a cota já ultrapassou o limite inferior da normalidade.

Rio perdeu 21 centímetros em duas semanas

Em Cáceres, a régua marcou 85 cm em 19 de agosto. Sete dias antes estava 12 centímetros acima desse valor e, em duas semanas, a redução acumulada chegou a 21 centímetros. Para aquela data, o limite inferior da faixa considerada normal ficava em aproximadamente 90 centímetros.

A comparação com 2025 ajuda a dimensionar o cenário. Dados hidrológicos registrados para Cáceres apontavam 96 cm em 19 de agosto de 2025. Assim, na comparação entre as mesmas datas, o rio estava 11 centímetros mais baixo em 2026.

A referência histórica também mostra o distanciamento do comportamento habitual. Uma semana antes, em 12 de agosto, quando a régua marcava 1 metro, a mediana histórica para a data era de 1,60m. Desde então, o rio continuou baixando. O SGB confirma que, em 19 de agosto, a cota permanecia abaixo da media histórica.

Navegação e turismo sentem primeiro os efeitos

Para Cáceres, nível baixo não é apenas um indicador ambiental. O Rio Paraguai sustenta parte importante do turismo, da pesca esportiva, dos passeios embarcados e da atividade de hotéis e pousadas pantaneiras.

O trecho entre Cáceres e Corumbá já apresenta naturalmente dificuldades à navegação por causa de assoreamentos, ilhas, sinuosidade e variação de profundidade. Durante as águas baixas, esses obstáculos ganham importância e exigem maior atenção dos condutores de embarcações. O próprio Ministério dos Transportes aponta pontos críticos e necessidade de manutenção no trecho durante a estiagem.

Cáceres conhece bem esse impacto. Na seca extrema de 2024, barcos-hotéis chegaram a alterar pontos de embarque devido ao risco de encalhe, e as condições do rio provocaram mudanças até na operação da pesca motorizada do Festival Internacional de Pesca. A situação atual ainda não se compara àquela crise, mas o histórico demonstra o que uma queda prolongada pode representar para o setor turístico.

Pouca chuva deve manter tendência de queda

O cenário exige acompanhamento porque o período de águas baixas do Rio Paraguai normalmente se estende de julho a novembro. Para os sete dias seguintes ao último boletim, a previsão utilizada pelo SGB apontava somente cerca de 2 milímetros de chuva em média na bacia, favorecendo a continuidade da redução das cotas.

Há, entretanto, uma diferença importante em relação às grandes secas recentes. O SGB ressalta que 2026 ainda apresenta situação mais favorável do que anos críticos como 2021 e 2024. Entre janeiro e julho, a chuva acumulada na bacia ficou inclusive 5% acima da média histórica de 1998 a 2025. Mesmo assim, os níveis dos rios permanecem inferiores aos observados antes de 2020, mantendo um ciclo de cotas baixas que já se aproxima de sete anos.

Para pescadores, operadores de turismo e usuários do rio, portanto, o principal sinal neste momento é de cautela. Ainda não há indicação de uma nova seca extrema em Cáceres, mas o Paraguai entra no período mais crítico da estiagem mais baixo que em 2025 e abaixo do padrão histórico, fazendo das próximas semanas um período decisivo para acompanhar a régua.

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