Ulisses Rabaneda entrega passaporte à Polícia Federal após retornar dos EUA. Operação Heritage investiga acordo de R$ 308 milhões entre Mato Grosso e Oi.
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Ulisses Rabaneda entrega passaporte à Polícia Federal após retornar dos EUA. Operação Heritage investiga acordo de R$ 308 milhões entre Mato Grosso e Oi.
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O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Ulisses Rabaneda entregou seu passaporte à Polícia Federal após retornar ao Brasil de uma viagem oficial a Washington, nos Estados Unidos. A medida havia sido determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Heritage.
Rabaneda estava fora do país quando a operação foi deflagrada, na quinta-feira (6). Na ocasião, agentes da PF cumpriram ordem de busca no escritório em Cuiabá onde ele atuava antes de assumir o cargo no CNJ. A entrega do documento completa uma das medidas cautelares impostas pela decisão judicial, que também inclui restrição de saída do país.
A Operação Heritage investiga possíveis irregularidades relacionadas a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi para restituição de valores decorrentes de uma antiga disputa tributária.
O conflito teve início em 2009, após a cobrança de aproximadamente R$ 71 milhões da então Brasil Telecom. Anos depois, após decisão que afastou a validade da cobrança tributária, a empresa passou a buscar a devolução dos recursos. O acordo celebrado em 2024 estabeleceu pagamento de R$ 308,1 milhões.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que recursos tenham circulado por uma estrutura envolvendo fundos de investimento e empresas interpostas. A apuração busca esclarecer a origem, movimentação e destino final dos valores. As suspeitas ainda estão em fase de investigação e não representam condenação dos envolvidos.
Antes de assumir uma cadeira no Conselho Nacional de Justiça, Rabaneda atuou como advogado nas negociações relacionadas ao crédito da Oi. De acordo com a investigação, ele participou da assinatura de documentos referentes à cessão do crédito e ao pedido de acordo encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado.
Em nota, a defesa sustenta que a relação de Rabaneda com os fatos decorre exclusivamente de sua atividade profissional como advogado, antes de ingressar no CNJ. Também afirma que os honorários recebidos tinham contrato formal e foram devidamente declarados.
O CNJ informou que a decisão de Flávio Dino não determinou o afastamento de Ulisses Rabaneda. Dessa forma, ele continua exercendo normalmente suas funções no Conselho. O órgão afirmou ainda que colaborará com as investigações, respeitando o contraditório, a ampla defesa e as prerrogativas do cargo.
A operação também atingiu outros nomes de destaque em Mato Grosso, entre eles o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia e o desembargador Ricardo Gomes de Almeida. A decisão judicial autorizou ainda quebra de sigilos, bloqueio e indisponibilidade de bens até aproximadamente R$ 316 milhões e proibição de contato entre investigados. Os citados negam irregularidades.
A investigação segue sob condução da Polícia Federal e supervisão do STF, e novos desdobramentos poderão ocorrer a partir da análise do material apreendido e das movimentações financeiras investigadas.